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Brasa Enxuta
Em nossas liturgias solenes fazemos uso do incenso. É a expressão de nossa
adoração, de nossas preces subindo até Deus.
Para incensar colocamos no turíbulo brasas acesas sobre as quais depositamos o
incenso. Neste instante sai do turíbulo uma fumaça perfumada.
O sucesso da incensação depende da qualidade das
brasas. Se as brasas não tiverem nenhuma umidade, se forem brasas enxutas, a
fumaça provocada pelo incenso é mais abundante, mais forte, mais duradoura e
ultrapassa o seu próprio ambiente. Caso contrário, se houver nas brasas alguma
umidade, a fumaça é mais fraca, não se espalha muito e fica restrita ao seu
ambiente.
Nossa vida de comunidade pode ser comparada a um
turíbulo com brasas acesas. Essas brasas são a nossa vida comum, a fraternidade,
a partilha, a misericórdia, o perdão e a hospitalidade nas diferenças.
Para manter estas brasas acesas e sem umidade devemos
abanar constantemente o turíbulo de nossa vida comunitária na direção do
absoluto, do seguimento discipular de Jesus. E Ele, ao mesmo tempo, nos envia
para perceber os sinais dos tempos e as potencialidades de nossos irmãos. É a
espiritualidade envolvendo toda a nossa vida sempre assoprada e abanada pelo
Espírito de Deus.
Não basta que o turíbulo de nossa vida comunitária
tenha as brasas dos exercícios comunitários: orações, celebrações, retiros, etc.
É necessário que a brasa não tenha a umidade da rotina, do peso das coisas
marcadas, do fazer para ficar livre. Quando isto acontece, o turíbulo de nossa
vida comunitária não reage bem ao receber o incenso das nossas orações
comunitárias, da celebração eucarística, do retiro mensal, etc. A fumaça, quer
dizer o resultado destes momentos. Fica restrito à presença física, que nem
sempre expressa a motivação, o encantamento e a paixão pelo seguimento
missionário de Jesus.
São Paulo na sua 1ª Carta aos Coríntios lembra àquela
comunidade a existência de algumas umidades que estavam diminuindo a força das
brasas dos dons, da vida familiar e da Ceia do Senhor. O apóstolo se refere às
umidades da competição, da desigualdade, da exclusão e de costumes pagãos.
Paulo nos diz que quando a Ceia do Senhor é celebrada
sobre a umidade da competição, da exclusão, da frieza no relacionamento, da
falta de ternura e de perdão e sobre a incapacidade de hospedar as diferenças
dentro de nós, ela deixa de ser a mesa da partilha, deixa de ser fonte de
crescimento comunitário. Deixa de ser ceia do Senhor (cf. 1Cor 11,20). Não faz
mais a diferença da situação dominante. Esta celebração fica restrita ao local
onde ela aconteceu. Não tem influência fora. Perde o seu sentido. Paulo diz que
a Ceia do Senhor, como também todas as atividades comunitárias, não podem ser
coniventes com estas umidades (cf. 1Cor 11,21-22).
Diante de tudo isto fica para nós algumas perguntas:
- Como estão as brasas de nossa vida comunitária?
- Qual a reação dela diante do incenso das orações comunitárias, da celebração
da eucaristia, dos retiros e reuniões?
- É uma reação que vai além do momento celebrativo?
- É uma reação de gente apaixonada pelo que faz?
- Nossas atividades comunitárias são brasas enxutas dentro do turíbulo da vida
comunitária?
- Como estão as abanadas de nosso turíbulo da vida comunitária?
Ir. João
Resende, SDN
Dom Cavati - MG |