Palavra do Bispo


O Que é Ser Padre Hoje?

 

     Outras perguntas se podem acrescentar: ser padre será uma questão de um perfil, de um modelo, de um estilo? Será uma função que o distingue? Será um poder ou será um serviço? Afinal, ser padre é uma questão de quê? De vocação? De santidade? De generosidade?
     A Igreja não pertence a si mesma e nem pode apropriar-se da salvação, nem assegurar a sua gestão, como se faz com uma propriedade. A Igreja só pode dar ao mundo o que ela recebe. Por isso, o padre, servidor da Igreja, inicia o seu ministério pelo Sacramento da ordem. Jesus chamou os Apóstolos. Pessoalmente, Ele os chamou, um a um. São Marcos nos diz que “Jesus subiu ao monte e chamou os que desejava escolher. E eles o seguiram” (3,13).
     Ao ser ordenado, isto é, unido sacramentalmente ao Bispo e aos outros presbíteros, o padre passa a viver a “vida apostólica” e assume a tarefa profética e missionária de anunciar Jesus Cristo. Juntamente com o Bispo, o presbítero pode e deve adaptar o exercício de seu ministério às circunstâncias do tempo e do lugar, mas sem mudar o projeto de Deus. A missão recebida e assumida absorve por completo e de maneira irreversível a vida do padre. É por isso que percebemos que ordenar padres apenas “por certo tempo”, nunca acontecerá. A tempo parcial não se pode ser padre. Não é uma mera função. Tem uma origem sacramental, “imprime caráter”, é para toda a vida e para a vida toda.
     O que o padre faz não é o que o leigo não pode fazer. Ele tem missão própria e o que ele é o que a Igreja precisa fazer para a sua missão. Não se pode falar da identidade do padre, separando-a do universo eclesial. Só aí tem sentido. Só assim tem sentido.
     Realmente, ser padre é ser futuro e sinal de um Deus que ama o mundo. É ser inserido sacramentalmente numa missão apostólica e missionária da Igreja e na Igreja. É ser alguém que ajude o mundo a ser melhor, a interrogar-se sobre o sentido da vida e da história, a descobrir um modo feliz de viver o drama da vida e da história e a celebrar a presença santa de Deus no concreto do nosso dia-a-dia.

 

Dom Paulo Sérgio Machado

Bispo de São Carlos-SP

 

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