Catolicismo


     Para a Igreja Católica, todos aqueles que receberam o sacramento do batismo são católicos. A maioria, porém (cerca de 80%) é formada por não-praticantes. A pouca adesão às missas de domingo é um reflexo desse comportamento. Segundo A World Christian Encyclopedia, nas cidades pequenas do interior, 65% da população vai à missa de domingo, enquanto nas grandes cidades a adesão varia de 10% a 20%.
     De acordo com os últimos dados disponíveis, 18% participam de grupos formados por leigos (não-religiosos), como o Movimento da Renovação Carismática Católica (RCC) e as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

     Comunidades Eclesiais de Base - As CEBs são grupos formados por leigos que se multiplicam pelo país após a década de 60, sob a influência da Teologia da Libertação. Curiosamente, foram idealizadas pelo Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Eugênio Sales, integrante da corrente católica mais conservadora. Com o decorrer do tempo, as CEBs vinculam o compromisso cristão à luta por justiça social e participam ativamente da vida política do país, associadas a movimentos de reivindicação social e a partidos políticos de esquerda. Um dos
principais teóricos do movimento é o ex-frade brasileiro Leonardo Boff. Apesar do declínio que experimentam nos anos 90, continuam em atividade milhares de núcleos em todo o país. Em 2000, de acordo com pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (Iser), do Rio de Janeiro, existem cerca de 70 mil núcleos de Comunidades Eclesiásticas de Base no Brasil.
     Renovação Carismática Católica - De origem norte-americana, o movimento carismático chega ao Brasil em 1968, pelas mãos do padre jesuíta Haroldo Hahn, e retoma valores e conceitos esquecidos pelo racionalismo social da Teologia da Libertação. Os fiéis resgatam práticas como a reza do terço, a devoção à Maria e as canções carregadas de emoção e louvor. A RCC valoriza a ação do Espírito Santo - uma das formas de Deus, na doutrina cristã, expressa no Mistério da Santíssima Trindade -, o que aproxima o movimento de certo modo, dos protestantes pentecostais e dos cristãos independentes neopentecostais. Ganha força principalmente no interior e entre a classe média. Em 2000, soma 8 milhões de simpatizantes, representados em 95% das dioceses, na forma de grupos de oração. Desse total, 2 milhões são jovens entre 15 e 29 anos, atraídos pela proposta renovadora e alegre, embalada pelas canções de padres cantores, como Marcelo Rossi, religioso paulistano que se torna fenômeno de mídia em 1998 com o lançamento do CD Músicas para Louvar o Senhor.