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Biografia
de Jesus pelo Novo Testamento
Grande parte do que é conhecido sobre a vida e os
ensinamentos de Jesus é contado pelos Evangelhos canônicos: Evangelhos de
Mateus, Marcos, Lucas e João, pertencentes ao Novo Testamento da Bíblia. Os
Evangelhos apócrifos apresentam também alguns relatos relacionados a Jesus.
Esses Evangelhos narram os fatos mais importantes da
vida de Jesus. Os Atos dos Apóstolos contam um pouco do que sucedeu nos 30 anos
seguintes. As Epístolas (ou cartas) de Paulo também citam fatos sobre Jesus.
Genealogia de Jesus - Mt 1,1-17
1.Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho
de Abraão. 2.Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacó. Jacó gerou Judá e seus
irmãos. 3.Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara. Farés gerou Esron. Esron gerou
Arão. 4.Arão gerou Aminadab. Aminadab gerou Naasson. Naasson gerou Salmon. 5.Salmon
gerou Booz, de Raab. Booz gerou Obed, de Rute. Obed gerou Jessé. Jessé gerou o
rei Davi.
6.O rei Davi gerou Salomão, daquela que fora mulher de
Urias. 7.Salomão gerou Roboão. Roboão gerou Abias. Abias gerou Asa. 8.Asa gerou
Josafá. Josafá gerou Jorão. Jorão gerou Ozias. 9.Ozias gerou Joatão. Joatão
gerou Acaz. Acaz gerou Ezequias. 10.Ezequias gerou Manassés. Manassés gerou
Amon. Amon gerou Josias. 11.Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no cativeiro de
Babilônia.
12.E, depois do cativeiro de Babilônia, Jeconias gerou
Salatiel. Salatiel gerou Zorobabel. 13.Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou
Eliacim. Eliacim gerou Azor. 14.Azor gerou Sadoc. Sadoc gerou Aquim. Aquim gerou
Eliud. 15.Eliud gerou Eleazar. Eleazar gerou Matã. Matã gerou Jacó. 16.Jacó
gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo.
17.Portanto, as gerações, desde Abraão até Davi, são
quatorze. Desde Davi até o cativeiro de Babilônia, quatorze gerações. E, depois
do cativeiro até Cristo, quatorze gerações.
Genealogia de Jesus - Lc 3,23-38
23.Quando Jesus começou o seu ministério, tinha
cerca de trinta anos, e era tido por filho de José, filho de Heli, filho de
Matat, 24.filho de Levi, filho de Melqui, filho de Jané, filho de José, 25.filho
de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Hesli, filho de Nagé,
26.filho de Maat, filho de Matatias, filho de Semei, filho de José, filho de
Judá, 27.filho de Joanã, filho de Resa, filho de Zorobabel, filho de Salatiel,
filho de Neri, 28.filho de Melqui, filho de Adi, filho de Cosã, filho de Elmadão,
filho de Her, 29.filho de Jesus, filho de Eliezer, filho de Jorim, filho de
Matat, filho de Levi, 30.filho de Simeão, filho de Judá, filho de José, filho de
Jonão, filho de Eliacim, 31.filho de Meléia, filho de Mena, filho de Matata,
filho de Natã, filho de Davi, 32.filho de Jessé, filho de Obed, filho de Booz,
filho de Salmon, filho de Naason, 33.filho de Aminadab, filho de Arão, filho de
Esron, filho de Farés, filho de Judá, 34.filho de Jacó, filho de Isaac, filho de
Abraão, filho de Taré, filho de Nacor, 35.filho de Sarug, filho de Ragau, filho
de Faleg, filho de Eber, filho de Salé, 36.filho de Cainã, filho de Arfaxad,
filho de Sem, filho de Noé, filho de Lamec, 37.filho de Matusalém, filho de
Henoc, filho de Jared, filho de Malaleel, filho de Cainã, 38.filho de Henós,
filho de Set, filho de Adão, filho de Deus.
Anúncio do nascimento de João - Lc 1,5-25
5.Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, houve um
sacerdote por nome Zacarias, da classe de Abias; sua mulher, descendente de
Aarão, chamava-se Isabel. 6.Ambos eram justos diante de Deus e observavam
irrepreensivelmente todos os mandamentos e preceitos do Senhor. 7.Mas não tinham
filho, porque Isabel era estéril e ambos de idade avançada.
8.Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de
sacerdote, na ordem da sua classe, 9.coube-lhe por sorte, segundo o costume em
uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume.
10.Todo o povo estava de fora, à hora da oferenda do perfume. 11.Apareceu-lhe
então um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do perfume. 12.Vendo-o,
Zacarias ficou perturbado, e o temor assaltou-o. 13.Mas o anjo disse-lhe: Não
temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, dar-te-á um
filho, e chamá-lo-ás João. 14.Ele será para ti motivo de gozo e alegria, e
muitos se alegrarão com o seu nascimento; 15.porque será grande diante do Senhor
e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do
Espírito Santo; 16.ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu
Deus, 17.e irá adiante de Deus com o espírito e poder de Elias para reconduzir
os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para
preparar ao Senhor um povo bem disposto. 18.Zacarias perguntou ao anjo: Donde
terei certeza disto? Pois sou velho e minha mulher é de idade avançada. 19.O
anjo respondeu-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado
para te falar e te trazer esta feliz nova. 20.Eis que ficarás mudo e não poderás
falar até o dia em que estas coisas acontecerem, visto que não deste crédito às
minhas palavras, que se hão de cumprir a seu tempo.
21.No entanto, o povo estava esperando Zacarias; e
admirava-se de ele se demorar tanto tempo no santuário. 22.Ao sair, não lhes
podia falar, e compreenderam que tivera no santuário uma visão. Ele lhes
explicava isto por acenos; e permaneceu mudo.
23.Decorridos os dias do seu ministério, retirou-se
para sua casa. 24.Algum tempo depois Isabel, sua mulher, concebeu; e por cinco
meses se ocultava, dizendo: 25.Eis a graça que o Senhor me fez, quando lançou os
olhos sobre mim para tirar o meu opróbrio dentre os homens.
Anúncio do nascimento de Jesus - Lc 1,26-38
26.No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por
Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27.a uma virgem desposada com um
homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.
28.Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.
29.Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria
semelhante saudação. 30.O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste
graça diante de Deus. 31.Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás
o nome de Jesus. 32.Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor
Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,
33.e o seu reino não terá fim. 34.Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso,
pois não conheço homem? 35.Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre
ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo
que nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36.Também Isabel, tua parenta, até
ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida
por estéril, 37.porque a Deus nenhuma coisa é impossível. 38.Então disse Maria:
Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo
afastou-se dela.
Maria visita Isabel - Lc 1,39-56
39.Naqueles dias, Maria se levantou e foi às
pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. 40.Entrou em casa de Zacarias e
saudou Isabel. 41.Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança
estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42.E exclamou em
alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
43.Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? 44.Pois assim que a
voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no
meu seio. 45.Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas
que da parte do Senhor te foram ditas!
46.E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,
47.meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, 48.porque olhou para
sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as
gerações, 49.porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome
é Santo. 50.Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o
temem. 51.Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos
soberbos. 52.Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. 53.Saciou de
bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. 54.Acolheu a Israel, seu
servo, lembrado da sua misericórdia, 55.conforme prometera a nossos pais, em
favor de Abraão e sua posteridade, para sempre. 56.Maria ficou com Isabel cerca
de três meses. Depois voltou para casa.
José aceita Maria - Mt 1,19-24
19.José, seu esposo, que era homem de bem, não
querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente. 20.Enquanto assim pensava,
eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de
Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do
Espírito Santo. 21.Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque
ele salvará o seu povo de seus pecados.
22.Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o
Senhor falou pelo profeta: 23.Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho,
que se chamará Emanuel, que significa: Deus conosco. 24.Despertando, José fez
como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa.
Nascimento de Jesus - Lc 2,1-20
1.Naqueles tempos apareceu um decreto de César
Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra. 2.Este recenseamento foi
feito antes do governo de Quirino, na Síria. 3.Todos iam alistar-se, cada um na
sua cidade. 4.Também José subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à
Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, 5.para se
alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida. 6.Estando eles ali,
completaram-se os dias dela. 7.E deu à luz seu filho primogênito, e,
envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para
eles na hospedaria.
8.Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e
guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite. 9.Um anjo do
Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram
grande temor. 10.O anjo disse-lhes: Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova
que será alegria para todo o povo: 11.hoje vos nasceu na Cidade de Davi um
Salvador, que é o Cristo Senhor. 12.Isto vos servirá de sinal: achareis um
recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura. 13.E subitamente ao
anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia:
14.Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da
benevolência (divina).
15.Depois que os anjos os deixaram e voltaram para o
céu, falaram os pastores uns com os outros: Vamos até Belém e vejamos o que se
realizou e o que o Senhor nos manifestou. 16.Foram com grande pressa e acharam
Maria e José, e o menino deitado na manjedoura. 17.Vendo-o, contaram o que se
lhes havia dito a respeito deste menino. 18.Todos os que os ouviam admiravam-se
das coisas que lhes contavam os pastores. 19.Maria conservava todas estas
palavras, meditando-as no seu coração. 20.Voltaram os pastores, glorificando e
louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, e que estava de acordo com
o que lhes fora dito.
Circuncisão de Jesus e primeira visita ao Templo - Lc 2,21-40
21.Completados que foram os oito dias para ser
circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o
anjo, antes de ser concebido no seio materno.
22.Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei
de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, 23.conforme o que
está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será
consagrado ao Senhor; 24.e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do
Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos.
25.Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão.
Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo
estava nele. 26.Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem
primeiro ver o Cristo do Senhor. 27.Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo.
E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os
preceitos da lei, 28.tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos:
29.Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra.
30.Porque os meus olhos viram a vossa salvação 31.que preparastes diante de
todos os povos, 32.como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso
povo de Israel.
33.Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que
dele se diziam. 34.Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este
menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos
homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, 35.a fim de serem
revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua
alma.
36.Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de
Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada. 37.Depois de ter vivido sete
anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e
quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e
orações. 38.Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos
aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação.
39.Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor,
voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré. 40.O menino ia crescendo e se
fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.
Visita dos magos - Mt 2,1-12
1.Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no
tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém. 2.Perguntaram
eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no
oriente e viemos adorá-lo.
3.A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda
Jerusalém com ele. 4.Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo
e indagou deles onde havia de nascer o Cristo. 5.Disseram-lhe: Em Belém, na
Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta: 6.E tu, Belém, terra de Judá, não
és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe
que governará Israel, meu povo.
7.Herodes, então, chamou secretamente os magos e
perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido. 8.E,
enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando
o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
9.Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis
que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o
lugar onde estava o menino e ali parou. 10.A aparição daquela estrela os encheu
de profunda alegria.
11.Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua
mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros,
ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra. 12.Avisados em sonhos de
não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.
Fuga para o Egito e massacre dos inocentes - Mt 2,13-18
13.Depois de sua partida, um anjo do Senhor
apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge
para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino
para o matar. 14.José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e
partiu para o Egito. 15.Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se
cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Eu chamei do Egito meu filho.
16.Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos
magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos
os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado
dos magos. 17.Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: 18.Em
Ramá se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos;
não quer consolação, porque já não existem mais!
Volta do Egito - Mt 2,19-23
19.Com a morte de Herodes, o anjo do Senhor
apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse: 20.Levanta-te, toma o menino e sua
mãe e retorna à terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida
do menino. 21.José levantou-se, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de
Israel. 22.Ao ouvir, porém, que Arquelau reinava na Judéia, em lugar de seu pai
Herodes, não ousou ir para lá. Avisado divinamente em sonhos, retirou-se para a
província da Galiléia 23.e veio habitar na cidade de Nazaré para que se
cumprisse o que foi dito pelos profetas: Será chamado Nazareno.
Jesus visita o Templo - Lc 2,41-52
41.Seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a
festa da Páscoa. 42.Tendo ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o
costume da festa. 43.Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino
Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem. 44.Pensando que ele
estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o
buscaram entre os parentes e conhecidos. 45.Mas não o encontrando, voltaram a
Jerusalém, à procura dele. 46.Três dias depois o acharam no templo, sentado no
meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. 47.Todos os que o ouviam
estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas. 48.Quando eles o viram,
ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu
pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição. 49.Respondeu-lhes ele: Por
que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?
50.Eles, porém, não compreenderam o que ele lhes dissera.
51.Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era
submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. 52.E Jesus crescia
em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens.
Ministério de João - Jo 1,19-28
19.Este foi o testemunho de João, quando os judeus
lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar-lhe: Quem és tu?
20.Ele fez esta declaração que confirmou sem hesitar: Eu não sou o Cristo.
21.Pois, então, quem és?, perguntaram-lhe eles. És tu
Elias? Disse ele: Não o sou. És tu o profeta? Ele respondeu: Não.
22.Perguntaram-lhe de novo: Dize-nos, afinal, quem és, para que possamos dar uma
resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo? 23.Ele respondeu: Eu sou a
voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como o disse o profeta
Isaías.
24.Alguns dos emissários eram fariseus. 25.Continuaram
a perguntar-lhe: Como, pois, batizas, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o
profeta? 26.João respondeu: Eu batizo com água, mas no meio de vós está quem vós
não conheceis. 27.Esse é quem vem depois de mim; e eu não sou digno de lhe
desatar a correia do calçado.
28.Este diálogo se passou em Betânia, além do Jordão,
onde João estava batizando.
Jesus é batizado - Mt 3,13-17
13.Da Galiléia foi Jesus ao rio Jordão se encontrar
com João, a fim de ser batizado por ele. 14.João recusava-se: Eu devo ser
batizado por ti e tu vens a mim! 15.Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por agora,
pois convém cumpramos a justiça completa. Então João cedeu.
16.Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água.
Eis que os céus se abriram e viu descer sobre ele, em forma de pomba, o Espírito
de Deus. 17.E do céu baixou uma voz: Eis meu Filho muito amado em quem ponho
minha afeição.
Jesus é tentado - Mt 4,1-11
1.Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao
deserto para ser tentado pelo demônio. 2.Jejuou quarenta dias e quarenta noites.
Depois, teve fome. 3.O tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de
Deus, ordena que estas pedras se tornem pães. 4.Jesus respondeu: Está escrito:
Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.
5.O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no
ponto mais alto do templo e disse-lhe: 6.Se és Filho de Deus, lança-te abaixo,
pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão
com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra.
7.Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.
8.O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte
muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe:
9.Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares.
10.Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor
teu Deus, e só a ele servirás.
11.Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos
aproximaram-se dele para servi-lo.
Jesus chama os primeiros discípulos - Jo 1,35-51
35.No dia seguinte, estava lá João outra vez com
dois dos seus discípulos. 36.E, avistando Jesus que ia passando, disse: Eis o
Cordeiro de Deus. 37.Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus.
38.Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que procurais?
Disseram-lhe: Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras? 39.Vinde e vede,
respondeu-lhes ele. Foram aonde ele morava e ficaram com ele aquele dia. Era
cerca da hora décima.
40.André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que
tinham ouvido João e que o tinham seguido. 41.Foi ele então logo à procura de
seu irmão e disse-lhe: Achamos o Messias (que quer dizer o Cristo). 42.Levou-o a
Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João; serás
chamado Cefas (que quer dizer pedra).
43.No dia seguinte, tinha Jesus a intenção de
dirigir-se à Galiléia. Encontra Filipe e diz-lhe: Segue-me. 44.(Filipe era
natural de Betsaida, cidade de André e Pedro.) 45.Filipe encontra Natanael e
diz-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei e que os profetas
anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José. 46.Respondeu-lhe Natanael: Pode,
porventura, vir coisa boa de Nazaré? Filipe retrucou: Vem e vê.
47.Jesus vê Natanael, que lhe vem ao encontro, e diz:
Eis um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade. 48.Natanael pergunta-lhe:
Donde me conheces? Respondeu Jesus: Antes que Filipe te chamasse, eu te vi
quando estavas debaixo da figueira. 49.Falou-lhe Natanael: Mestre, tu és o Filho
de Deus, tu és o rei de Israel. 50.Jesus replicou-lhe: Porque eu te disse que te
vi debaixo da figueira, crês! Verás coisas maiores do que esta. 51.E ajuntou: Em
verdade, em verdade vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e
descendo sobre o Filho do Homem.
Primeiro milagre - Jo 2,1-12
1.Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da
Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus. 2.Também foram convidados Jesus e os
seus discípulos.
3.Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho.
4.Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou.
5.Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser.
6.Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra para as
purificações dos judeus, que continham cada qual duas ou três medidas. 7.Jesus
ordena-lhes: Enchei as talhas de água. Eles encheram-nas até em cima. 8.Tirai
agora , disse-lhes Jesus, e levai ao chefe dos serventes. E levaram.
9.Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada
vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham
tirado a água), chamou o noivo 10.e disse-lhe: É costume servir primeiro o vinho
bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos
bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora.
11.Este foi o primeiro milagre de Jesus; realizou-o em
Caná da Galiléia. Manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.
12.Depois disso, desceu para Cafarnaum, com sua mãe, seus irmãos e seus
discípulos; e ali só demoraram poucos dias.
Purificação do Templo - Jo 2,13-25
13.Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus
subiu a Jerusalém.
14.Encontrou no templo os negociantes de bois, ovelhas
e pombas, e mesas dos trocadores de moedas. 15.Fez ele um chicote de cordas,
expulsou todos do templo, como também as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o
dinheiro dos trocadores e derrubou as mesas. 16.Disse aos que vendiam as pombas:
Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes.
17.Lembraram-se então os seus discípulos do que está escrito: O zelo da tua casa
me consome.
18.Perguntaram-lhe os judeus: Que sinal nos apresentas
tu, para procederes deste modo? 19.Respondeu-lhes Jesus: Destruí vós este
templo, e eu o reerguerei em três dias. 20.Os judeus replicaram: Em quarenta e
seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias?!
21.Mas ele falava do templo do seu corpo. 22.Depois que ressurgiu dos mortos, os
seus discípulos lembraram-se destas palavras e creram na Escritura e na palavra
de Jesus.
23.Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da
Páscoa, muitos creram no seu nome, à vista dos milagres que fazia. 24.Mas Jesus
mesmo não se fiava neles, porque os conhecia a todos. 25.Ele não necessitava que
alguém desse testemunho de nenhum homem, pois ele bem sabia o que havia no
homem.
Jesus instrui Nicodemos - Jo 3,1-21
1.Havia um homem entre os fariseus, chamado
Nicodemos, príncipe dos judeus. 2.Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe:
Rabi, sabemos que és um Mestre vindo de Deus. Ninguém pode fazer esses milagres
que fazes, se Deus não estiver com ele. 3.Jesus replicou-lhe: Em verdade, em
verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus.
4.Nicodemos perguntou-lhe: Como pode um homem renascer,
sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela
segunda vez? 5.Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não
renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus. 6.O que
nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito. 7.Não te
maravilhes de que eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo. 8.O vento
sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde
vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito.
9.Replicou Nicodemos: Como se pode fazer isso? 10.Disse
Jesus: És doutor em Israel e ignoras estas coisas!... 11.Em verdade, em verdade
te digo: dizemos o que sabemos e damos testemunho do que vimos, mas não recebeis
o nosso testemunho. 12.Se vos tenho falado das coisas terrenas e não me credes,
como crereis se vos falar das celestiais?
13.Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu,
o Filho do Homem que está no céu. 14.Como Moisés levantou a serpente no deserto,
assim deve ser levantado o Filho do Homem, 15.para que todo homem que nele crer
tenha a vida eterna.
16.Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe
deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida
eterna. 17.Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o
mundo seja salvo por ele. 18.Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já
está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus.
19.Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas
os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más.
20.Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para
que as suas obras não sejam reprovadas. 21.Mas aquele que pratica a verdade, vem
para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus.
Ministério paralelo de João Batista - Jo 3,22-30
22.Em seguida, foi Jesus com os seus discípulos
para os campos da Judéia, e ali se deteve com eles, e batizava. 23.Também João
batizava em Enon, perto de Salim, porque havia ali muita água, e muitos vinham e
eram batizados. 24.Pois João ainda não tinha sido lançado no cárcere.
25.Ora, surgiu uma discussão entre os discípulos de
João e um judeu, a respeito da purificação. 26.Foram e disseram-lhe: Mestre,
aquele que estava contigo além do Jordão, de quem tu deste testemunho, ei-lo que
está batizando e todos vão ter com ele...
27.João replicou: Ninguém pode atribuir-se a si mesmo
senão o que lhe foi dado do céu. 28.Vós mesmos me sois testemunhas de que disse:
Eu não sou o Cristo, mas fui enviado diante dele. 29.Aquele que tem a esposa é o
esposo. O amigo do esposo, porém, que está presente e o ouve, regozija-se
sobremodo com a voz do esposo. Nisso consiste a minha alegria, que agora se
completa. 30.Importa que ele cresça e que eu diminua.
Mulher samaritana no poço de Jacó - Jo 4,1-42
1.O Senhor soube que os fariseus tinham ouvido
dizer que ele recrutava e batizava mais discípulos que João 2.(se bem que não
era Jesus quem batizava, mas os seus discípulos). 3.Deixou a Judéia e voltou
para a Galiléia. 4.Ora, devia passar por Samaria. 5.Chegou, pois, a uma
localidade da Samaria, chamada Sicar, junto das terras que Jacó dera a seu filho
José. 6.Ali havia o poço de Jacó. E Jesus, fatigado da viagem, sentou-se à beira
do poço. Era por volta do meio-dia.
7.Veio uma mulher da Samaria tirar água. Pediu-lhe
Jesus: Dá-me de beber. 8.(Pois os discípulos tinham ido à cidade comprar
mantimentos.) 9.Aquela samaritana lhe disse: Sendo tu judeu, como pedes de beber
a mim, que sou samaritana!... (Pois os judeus não se comunicavam com os
samaritanos.) 10.Respondeu-lhe Jesus: Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que
te diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e ele te daria uma água
viva.
11.A mulher lhe replicou: Senhor, não tens com que
tirá-la, e o poço é fundo... donde tens, pois, essa água viva? 12.És,
porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual ele
mesmo bebeu e também os seus filhos e os seus rebanhos? 13.Respondeu-lhe Jesus:
Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede, 14.mas o que beber da água
que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte
de água, que jorrará até a vida eterna. 15.A mulher suplicou: Senhor, dá-me
desta água, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá-la!
16.Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e volta cá.
17.A mulher respondeu: Não tenho marido. Disse Jesus: Tens razão em dizer que
não tens marido. 18.Tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu. Nisto
disseste a verdade. 19.Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que és profeta!...
20.Nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que é em Jerusalém que se
deve adorar.
21.Jesus respondeu: Mulher, acredita-me, vem a hora em
que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém. 22.Vós adorais o que
não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.
23.Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o
Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. 24.Deus é
espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade.
25.Respondeu a mulher: Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo); quando,
pois, vier, ele nos fará conhecer todas as coisas. 26.Disse-lhe Jesus: Sou eu,
quem fala contigo.
27.Nisso seus discípulos chegaram e maravilharam-se de
que estivesse falando com uma mulher. Ninguém, todavia, perguntou: Que
perguntas? Ou: Que falas com ela? 28.A mulher deixou o seu cântaro, foi à cidade
e disse àqueles homens: 29.Vinde e vede um homem que me contou tudo o que tenho
feito. Não seria ele, porventura, o Cristo? 30.Eles saíram da cidade e vieram
ter com Jesus.
31.Entretanto, os discípulos lhe pediam: Mestre, come.
32.Mas ele lhes disse: Tenho um alimento para comer que vós não conheceis. 33.Os
discípulos perguntavam uns aos outros: Alguém lhe teria trazido de comer?
34.Disse-lhes Jesus: Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e
cumprir a sua obra. 35.Não dizeis vós que ainda há quatro meses e vem a
colheita? Eis que vos digo: levantai os vossos olhos e vede os campos, porque já
estão brancos para a ceifa. 36.O que ceifa recebe o salário e ajunta fruto para
a vida eterna; assim o semeador e o ceifador juntamente se regozijarão.
37.Porque eis que se pode dizer com toda verdade: Um é o que semeia outro é o
que ceifa. 38.Enviei-vos a ceifar onde não tendes trabalhado; outros
trabalharam, e vós entrastes nos seus trabalhos.
39.Muitos foram os samaritanos daquela cidade que
creram nele por causa da palavra da mulher, que lhes declarara: Ele me disse
tudo quanto tenho feito. 40.Assim, quando os samaritanos foram ter com ele,
pediram que ficasse com eles. Ele permaneceu ali dois dias. 41.Ainda muitos
outros creram nele por causa das suas palavras. 42.E diziam à mulher: Já não é
por causa da tua declaração que cremos, mas nós mesmos ouvimos e sabemos ser
este verdadeiramente o Salvador do mundo.
Segundo milagre - Jo 4,43-54
43.Passados os dois dias, Jesus partiu para a
Galiléia. 44.(Ele mesmo havia declarado que um profeta não é honrado na sua
pátria.) 45.Chegando à Galiléia, acolheram-no os galileus, porque tinham visto
tudo o que fizera durante a festa em Jerusalém; pois também eles tinham ido à
festa.
46.Ele voltou, pois, a Caná da Galiléia, onde
transformara água em vinho. Havia então em Cafarnaum um oficial do rei, cujo
filho estava doente. 47.Ao ouvir que Jesus vinha da Judéia para a Galiléia, foi
a ele e rogou-lhe que descesse e curasse seu filho, que estava prestes a morrer.
48.Disse-lhe Jesus: Se não virdes milagres e prodígios, não credes...
49.Pediu-lhe o oficial: Senhor, desce antes que meu filho morra! 50.Vai,
disse-lhe Jesus, o teu filho está passando bem! O homem acreditou na palavra de
Jesus e partiu. 51.Enquanto ia descendo, os criados vieram-lhe ao encontro e lhe
disseram: Teu filho está passando bem. 52.Indagou então deles a hora em que se
sentira melhor. Responderam-lhe: Ontem à sétima hora a febre o deixou.
53.Reconheceu o pai ser a mesma hora em que Jesus dissera: Teu filho está
passando bem. E creu tanto ele como toda a sua casa.
54.Esse foi o segundo milagre que Jesus fez, depois de
voltar da Judéia para a Galiléia.
Pescadores de homens - Mt 4,18-25
18.Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois
irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar,
pois eram pescadores. 19.E disse-lhes: Vinde após mim e vos farei pescadores de
homens. 20.Na mesma hora abandonaram suas redes e o seguiram. 21.Passando
adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que
estavam com seu pai Zebedeu consertando as redes. Chamou-os, 22.e eles
abandonaram a barca e seu pai e o seguiram.
23.Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, pregando o
Evangelho do Reino, curando todas as doenças e enfermidades entre o povo. 24.Sua
fama espalhou-se por toda a Síria: traziam-lhe os doentes e os enfermos, os
possessos, os lunáticos, os paralíticos. E ele curava a todos. 25.Grandes
multidões acompanharam-no da Galiléia, da Decápole, de Jerusalém, da Judéia e
dos países do outro lado do Jordão.
Cura da sogra de Pedro e outros - Mc 1,29-34
29.Assim que saíram da sinagoga, dirigiram-se com
Tiago e João à casa de Simão e André. 30.A sogra de Simão estava de cama, com
febre; e sem tardar, falaram-lhe a respeito dela. 31.Aproximando-se ele, tomou-a
pela mão e levantou-a; imediatamente a febre a deixou e ela pôs-se a servi-los.
32.À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram-lhe todos os
enfermos e possessos do demônio. 33.Toda a cidade estava reunida diante da
porta. 34.Ele curou muitos que estavam oprimidos de diversas doenças, e expulsou
muitos demônios. Não lhes permitia falar, porque o conheciam.
Cura do leproso e do paralítico - Lc 5,12-26
12.Estando ele numa cidade, apareceu um homem cheio
de lepra. Vendo Jesus, lançou-se com o rosto por terra e lhe suplicou: Senhor,
se queres, podes limpar-me. 13.Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: Eu quero;
sê purificado! No mesmo instante desapareceu dele a lepra. 14.Ordenou-lhe Jesus
que o não contasse a ninguém, dizendo-lhe, porém: Vai e mostra-te ao sacerdote,
e oferece pela tua purificação o que Moisés prescreveu, para lhes servir de
testemunho. 15.Entretanto, espalhava-se mais e mais a sua fama e concorriam
grandes multidões para o ouvir e ser curadas das suas enfermidades. 16.Mas ele
costumava retirar-se a lugares solitários para orar.
17.Um dia estava ele ensinando. Ao seu derredor estavam
sentados fariseus e doutores da lei, vindos de todas as localidades da Galiléia,
da Judéia e de Jerusalém. E o poder do Senhor fazia-o realizar várias curas.
18.Apareceram algumas pessoas trazendo num leito um homem paralítico; e
procuravam introduzi-lo na casa e pô-lo diante dele. 19.Mas não achando por onde
o introduzir, por causa da multidão, subiram ao telhado e por entre as telhas o
arriaram com o leito ao meio da assembléia, diante de Jesus. 20.Vendo a fé que
tinham, disse Jesus: Meu amigo, os teus pecados te são perdoados.
21.Então os escribas e os fariseus começaram a pensar e
a dizer consigo mesmos: Quem é este homem que profere blasfêmias? Quem pode
perdoar pecados senão unicamente Deus? 22.Jesus, porém, penetrando nos seus
pensamentos, replicou-lhes: Que pensais nos vossos corações? 23.Que é mais fácil
dizer: Perdoados te são os pecados; ou dizer: Levanta-te e anda? 24.Ora, para
que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder de perdoar pecados (disse
ele ao paralítico), eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para tua
casa. 25.No mesmo instante, levantou-se ele à vista deles, tomou o leito e
partiu para casa, glorificando a Deus. 26.Todos ficaram transportados de
entusiasmo e glorificavam a Deus; e tomados de temor, diziam: Hoje vimos coisas
maravilhosas.
Jesus chama Mateus - Lc 5,27-32
27.Depois disso, ele saiu e viu sentado ao balcão
um coletor de impostos, por nome Levi, e disse-lhe: Segue-me. 28.Deixando ele
tudo, levantou-se e o seguiu. 29.Levi deu-lhe um grande banquete em sua casa;
vários desses fiscais e outras pessoas estavam sentados à mesa com eles. 30.Os
fariseus e os seus escribas puseram-se a criticar e a perguntar aos discípulos:
Por que comeis e bebeis com os publicanos e pessoas de má vida?
31.Respondeu-lhes Jesus: Não são os homens de boa saúde que necessitam de
médico, mas sim os enfermos. 32.Não vim chamar à conversão os justos, mas sim os
pecadores.
Jesus e a multidão - Mc 3,7-12
7.Jesus retirou-se com os seus discípulos para o
mar, e seguia-o uma grande multidão, vinda da Galiléia. 8.E da Judéia, de
Jerusalém, da Iduméia, do além-Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidônia veio
a ele uma grande multidão, ao ouvir o que ele fazia. 9.Ele ordenou a seus
discípulos que lhe aprontassem uma barca, para que a multidão não o comprimisse.
10.Curou a muitos, de modo que todos os que padeciam de algum mal se arrojavam a
ele para o tocar. 11.Quando os espíritos imundos o viam, prostravam-se diante
dele e gritavam: Tu és o Filho de Deus! 12.Mas Jesus ordenava severamente para
não dizerem quem ele era.
Os doze apóstolos - Lc 6,12-16
12.Naqueles dias, Jesus retirou-se a uma montanha
para rezar, e passou aí toda a noite orando a Deus. 13.Ao amanhecer, chamou os
seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de apóstolos: 14.Simão, a
quem deu o sobrenome de Pedro; André, seu irmão; Tiago, João, Filipe,
Bartolomeu, 15.Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelador;
16.Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor.
Sermão da montanha - Mt 5,1-12
1.Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha.
Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele. 2.Então abriu a boca e lhes
ensinava, dizendo: 3.Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque
deles é o Reino dos céus! 4.Bem-aventurados os que choram, porque serão
consolados! 5.Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! 6.Bem-aventurados
os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! 7.Bem-aventurados os
misericordiosos, porque alcançarão misericórdia! 8.Bem-aventurados os puros de
coração, porque verão Deus! 9.Bem-aventurados os pacíficos, porque serão
chamados filhos de Deus! 10.Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da
justiça, porque deles é o Reino dos céus! 11.Bem-aventurados sereis quando vos
caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós
por causa de mim. 12.Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa
recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.
Pai nosso - Mt 6,7-15
7.Nas vossas orações, não multipliqueis as
palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras.
8.Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós
lho peçais.
9.Eis como deveis rezar: Pai nosso, que estás no céu,
santificado seja o teu nome; 10.venha o teu Reino; seja feita a tua vontade,
assim na terra como no céu. 11.Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia; 12.perdoa as
nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; 13.e não nos
deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.
14.Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas,
vosso Pai celeste também vos perdoará. 15.Mas se não perdoardes aos homens,
tampouco vosso Pai vos perdoará.
Cura do servo do centurião - Lc 7,1-10
1.Tendo Jesus concluído todos os seus discursos ao
povo que o escutava, entrou em Cafarnaum. 2.Havia lá um centurião que tinha um
servo a quem muito estimava e que estava à morte. 3.Tendo ouvido falar de Jesus,
enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, rogando-lhe que o viesse curar.
4.Aproximando-se eles de Jesus, rogavam-lhe encarecidamente: Ele bem merece que
lhe faças este favor, 5.pois é amigo da nossa nação e foi ele mesmo quem nos
edificou uma sinagoga. 6.Jesus então foi com eles. E já não estava longe da
casa, quando o centurião lhe mandou dizer por amigos seus: Senhor, não te
incomodes tanto assim, porque não sou digno de que entres em minha casa; 7.por
isso nem me achei digno de chegar-me a ti, mas dize somente uma palavra e o meu
servo será curado. 8.Pois também eu, simples subalterno, tenho soldados às
minhas ordens; e digo a um: Vai ali! E ele vai; e a outro: Vem cá! E ele vem; e
ao meu servo: Faze isto! E ele o faz. 9.Ouvindo estas palavras, Jesus ficou
admirado. E, voltando-se para o povo que o ia seguindo, disse: Em verdade vos
digo: nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé. 10.Voltando para a casa do
centurião os que haviam sido enviados, encontraram o servo curado.
Jesus ressuscita o filho da viúva - Lc 7,11-17
11.No dia seguinte dirigiu-se Jesus a uma cidade
chamada Naim. Iam com ele diversos discípulos e muito povo. 12.Ao chegar perto
da porta da cidade, eis que levavam um defunto a ser sepultado, filho único de
uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade. 13.Vendo-a o Senhor, movido de
compaixão para com ela, disse-lhe: Não chores! 14.E aproximando-se, tocou no
esquife, e os que o levavam pararam. Disse Jesus: Moço, eu te ordeno,
levanta-te. 15.Sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus
entregou-o à sua mãe. 16.Apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus,
dizendo: Um grande profeta surgiu entre nós: Deus voltou os olhos para o seu
povo. 17.A notícia deste fato correu por toda a Judéia e por toda a redondeza.
Família de Jesus - Mt 12,46-50
46.Jesus falava ainda à multidão, quando veio sua
mãe e seus irmãos e esperavam do lado de fora a ocasião de lhe falar.
47.Disse-lhe alguém: Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te.
48.Jesus respondeu-lhe: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? 49.E, apontando
com a mão para os seus discípulos, acrescentou: Eis aqui minha mãe e meus
irmãos. 50.Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é
meu irmão, minha irmã e minha mãe.
Parábolas de Jesus - Mt 13,1-52
1.Naquele dia, saiu Jesus e sentou-se à beira do
lago. 2.Acercou-se dele, porém, uma tal multidão, que precisou entrar numa
barca. Nela se assentou, enquanto a multidão ficava à margem. 3.E seus discursos
foram uma série de parábolas. 4.Disse ele: Um semeador saiu a semear. E,
semeando, parte da semente caiu ao longo do caminho; os pássaros vieram e a
comeram. 5.Outra parte caiu em solo pedregoso, onde não havia muita terra, e
nasceu logo, porque a terra era pouco profunda. 6.Logo, porém, que o sol nasceu,
queimou-se, por falta de raízes. 7.Outras sementes caíram entre os espinhos: os
espinhos cresceram e as sufocaram. 8.Outras, enfim, caíram em terra boa: deram
frutos, cem por um, sessenta por um, trinta por um. 9.Aquele que tem ouvidos,
ouça.
10.Os discípulos aproximaram-se dele, então, para
dizer-lhe: Por que lhes falas em parábolas? 11.Respondeu Jesus: Porque a vós é
dado compreender os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não. 12.Ao que tem,
se lhe dará e terá em abundância, mas ao que não tem será tirado até mesmo o que
tem. 13.Eis por que lhes falo em parábolas: para que, vendo, não vejam e,
ouvindo, não ouçam nem compreendam. 14.Assim se cumpre para eles o que foi dito
pelo profeta Isaías: Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com
vossos olhos e não vereis, 15.porque o coração deste povo se endureceu: taparam
os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para que seus olhos não vejam e seus
ouvidos não ouçam, nem seu coração compreenda; para que não se convertam e eu os
sare. 16.Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem!
Ditosos os vossos ouvidos, porque ouvem! 17.Eu vos declaro, em verdade: muitos
profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e
não ouviram.
18.Ouvi, pois, o sentido da parábola do semeador:
19.quando um homem ouve a palavra do Reino e não a entende, o Maligno vem e
arranca o que foi semeado no seu coração. Este é aquele que recebeu a semente à
beira do caminho. 20.O solo pedregoso em que ela caiu é aquele que acolhe com
alegria a palavra ouvida, 21.mas não tem raízes, é inconstante: sobrevindo uma
tribulação ou uma perseguição por causa da palavra, logo encontra uma ocasião de
queda. 22.O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele
que ouviu bem a palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas
a sufocam e a tornam infrutuosa. 23.A terra boa semeada é aquele que ouve a
palavra e a compreende, e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por
um.
24.Jesus propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é
semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo. 25.Na hora,
porém, em que os homens repousavam, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do
trigo e partiu. 26.O trigo cresceu e deu fruto, mas apareceu também o joio.
27.Os servidores do pai de família vieram e disseram-lhe: - Senhor, não semeaste
bom trigo em teu campo? Donde vem, pois, o joio? 28.Disse-lhes ele: - Foi um
inimigo que fez isto! Replicaram-lhe: - Queres que vamos e o arranquemos? 29.-
Não, disse ele; arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo.
30.Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos
ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei
depois o trigo no meu celeiro.
31.Em seguida, propôs-lhes outra parábola: O Reino dos
céus é comparado a um grão de mostarda que um homem toma e semeia em seu campo.
32.É esta a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, torna-se um arbusto
maior que todas as hortaliças, de sorte que os pássaros vêm aninhar-se em seus
ramos.
33.Disse-lhes, por fim, esta outra parábola. O Reino
dos céus é comparado ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas
de farinha e que faz fermentar toda a massa.
34.Tudo isto disse Jesus à multidão em forma de
parábola. De outro modo não lhe falava, 35.para que se cumprisse a profecia:
Abrirei a boca para ensinar em parábolas; revelarei coisas ocultas desde a
criação.
36.Então despediu a multidão. Em seguida, entrou de
novo na casa e seus discípulos agruparam-se ao redor dele para perguntar-lhe:
Explica-nos a parábola do joio no campo. 37.Jesus respondeu: O que semeia a boa
semente é o Filho do Homem. 38.O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do
Reino. O joio são os filhos do Maligno. 39.O inimigo, que o semeia, é o demônio.
A colheita é o fim do mundo. Os ceifadores são os anjos. 40.E assim como se
recolhe o joio para jogá-lo no fogo, assim será no fim do mundo. 41.O Filho do
Homem enviará seus anjos, que retirarão de seu Reino todos os escândalos e todos
os que fazem o mal 42.e os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e
ranger de dentes. 43.Então, no Reino de seu Pai, os justos resplandecerão como o
sol. Aquele que tem ouvidos, ouça.
44.O Reino dos céus é também semelhante a um tesouro
escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de
alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo.
45.O Reino dos céus é ainda semelhante a um negociante
que procura pérolas preciosas. 46.Encontrando uma de grande valor, vai, vende
tudo o que possui e a compra.
47.O Reino dos céus é semelhante ainda a uma rede que,
jogada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. 48.Quando está repleta, os
pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e separam nos cestos o que é bom e
jogam fora o que não presta. 49.Assim será no fim do mundo: os anjos virão
separar os maus do meio dos justos 50.e os arrojarão na fornalha, onde haverá
choro e ranger de dentes.
51.Compreendestes tudo isto? Sim, Senhor, responderam
eles. 52.Por isso, todo escriba instruído nas coisas do Reino dos céus é
comparado a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas.
Jesus apazigua a tempestade - Lc 8,22-25
22.Num daqueles dias ele subiu com os seus
discípulos a uma barca. Disse ele: Passemos à outra margem do lago. E eles
partiram. 23.Durante a travessia, Jesus adormeceu. Desabou então uma tempestade
de vento sobre o lago. A barca enchia-se de água, e eles se achavam em perigo.
24.Aproximaram-se dele então e o despertaram com este grito: Mestre, Mestre! Nós
estamos perecendo! Levantou-se ele e ordenou aos ventos e à fúria da água que se
acalmassem; e se acalmaram e logo veio a bonança. 25.Perguntou-lhes, então: Onde
está a vossa fé? Eles, cheios de respeito e de profunda admiração, diziam uns
aos outros: Quem é este, a quem os ventos e o mar obedecem?
Envio dos doze - Lc 9,1-6
1.Reunindo Jesus os doze apóstolos, deu-lhes poder
e autoridade sobre todos os demônios, e para curar enfermidades. 2.Enviou-os a
pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos. 3.Disse-lhes: Não leveis coisa
alguma para o caminho, nem bordão, nem mochila, nem pão, nem dinheiro, nem
tenhais duas túnicas. 4.Em qualquer casa em que entrardes, ficai ali até que
deixeis aquela localidade. 5.Onde ninguém vos receber, deixai aquela cidade e em
testemunho contra eles sacudi a poeira dos vossos pés. 6.Partiram, pois, e
percorriam as aldeias, pregando o Evangelho e fazendo curas por toda parte.
Herodes decapita João Batista - Mc 6,14-29
14.O rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se
tornara célebre. Dizia-se: João Batista ressurgiu dos mortos e por isso o poder
de fazer milagres opera nele. 15.Uns afirmavam: É Elias! Diziam outros: É um
profeta como qualquer outro. 16.Ouvindo isto, Herodes repetia: É João, a quem
mandei decapitar. Ele ressuscitou!
17.Pois o próprio Herodes mandara prender João e
acorrentá-lo no cárcere, por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe,
com a qual ele se tinha casado. 18.João tinha dito a Herodes: Não te é permitido
ter a mulher de teu irmão. 19.Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, não
o conseguindo, porém. 20.Pois Herodes respeitava João, sabendo que era um homem
justo e santo; protegia-o e, quando o ouvia, sentia-se embaraçado. Mas, mesmo
assim, de boa mente o ouvia.
21.Chegou, porém, um dia favorável em que Herodes, por
ocasião do seu natalício, deu um banquete aos grandes de sua corte, aos seus
oficiais e aos principais da Galiléia. 22.A filha de Herodíades apresentou-se e
pôs-se a dançar, com grande satisfação de Herodes e dos seus convivas. Disse o
rei à moça: Pede-me o que quiseres, e eu to darei. 23.E jurou-lhe: Tudo o que me
pedires te darei, ainda que seja a metade do meu reino. 24.Ela saiu e perguntou
à sua mãe: Que hei de pedir? E a mãe respondeu: A cabeça de João Batista.
25.Tornando logo a entrar apressadamente à presença do rei, exprimiu-lhe seu
desejo: Quero que sem demora me dês a cabeça de João Batista. 26.O rei
entristeceu-se; todavia, por causa da sua promessa e dos convivas, não quis
recusar. 27.Sem tardar, enviou um carrasco com a ordem de trazer a cabeça de
João. Ele foi, decapitou João no cárcere, 28.trouxe a sua cabeça num prato e a
deu à moça, e esta a entregou à sua mãe. 29.Ouvindo isto, os seus discípulos
foram tomar o seu corpo e o depositaram num sepulcro.
Jesus alimenta 5000 - Mt 14,13-21
13.Quando soube da morte de João Batista, Jesus
partiu numa barca para se retirar a um lugar deserto, mas o povo soube e a
multidão das cidades o seguiu a pé. 14.Quando desembarcou, vendo Jesus essa
numerosa multidão, moveu-se de compaixão para ela e curou seus doentes.
15.Caía a tarde. Agrupados em volta dele, os discípulos
disseram-lhe: Este lugar é deserto e a hora é avançada. Despede esta gente para
que vá comprar víveres na aldeia. 16.Jesus, porém, respondeu: Não é necessário:
dai-lhe vós mesmos de comer. 17.Mas, disseram eles, nós não temos aqui mais que
cinco pães e dois peixes. 18.Tragam isso aqui, disse-lhes Jesus. 19.Mandou,
então, a multidão assentar-se na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e,
elevando os olhos ao céu, abençoou-os. Partindo em seguida os pães, deu-os aos
seus discípulos, que os distribuíram ao povo. 20.Todos comeram e ficaram fartos,
e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios. 21.Ora, os convivas
foram aproximadamente cinco mil homens, sem contar as mulheres e crianças.
Jesus anda sobre a água - Mt 14,22-33
22.Logo depois, Jesus obrigou seus discípulos a
entrar na barca e a passar antes dele para a outra margem, enquanto ele despedia
a multidão. 23.Feito isso, subiu à montanha para orar na solidão. E, chegando a
noite, estava lá sozinho. 24.Entretanto, já a boa distância da margem, a barca
era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário.
25.Pela quarta vigília da noite, Jesus veio a eles,
caminhando sobre o mar. 26.Quando os discípulos o perceberam caminhando sobre as
águas, ficaram com medo: É um fantasma! disseram eles, soltando gritos de
terror. 27.Mas Jesus logo lhes disse: Tranqüilizai-vos, sou eu. Não tenhais
medo!
28.Pedro tomou a palavra e falou: Senhor, se és tu,
manda-me ir sobre as águas até junto de ti! 29.Ele disse-lhe: Vem! Pedro saiu da
barca e caminhava sobre as águas ao encontro de Jesus. 30.Mas, redobrando a
violência do vento, teve medo e, começando a afundar, gritou: Senhor, salva-me!
31.No mesmo instante, Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e lhe disse: Homem de
pouca fé, por que duvidaste?
32.Apenas tinham subido para a barca, o vento cessou.
33.Então aqueles que estavam na barca prostraram-se diante dele e disseram: Tu
és verdadeiramente o Filho de Deus.
Transfiguração de Jesus - Lc 9,28-36
28.Passados uns oitos dias, Jesus tomou consigo
Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar. 29.Enquanto orava,
transformou-se o seu rosto e as suas vestes tornaram-se resplandecentes de
brancura. 30.E eis que falavam com ele dois personagens: eram Moisés e Elias,
31.que apareceram envoltos em glória, e falavam da morte dele, que se havia de
cumprir em Jerusalém. 32.Entretanto, Pedro e seus companheiros tinham-se deixado
vencer pelo sono; ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois personagens
em sua companhia. 33.Quando estes se apartaram de Jesus, Pedro disse: Mestre, é
bom estarmos aqui. Podemos levantar três tendas: uma para ti, outra para Moisés
e outra para Elias!... Ele não sabia o que dizia. 34.Enquanto ainda assim
falava, veio uma nuvem e encobriu-os com a sua sombra; e os discípulos, vendo-os
desaparecer na nuvem, tiveram um grande pavor. 35.Então da nuvem saiu uma voz:
Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o! 36.E, enquanto ainda ressoava esta voz,
achou-se Jesus sozinho. Os discípulos calaram-se e a ninguém disseram naqueles
dias coisa alguma do que tinham visto.
Jesus perdoa a mulher adultera - Jo 8,1-11
1.Dirigiu-se Jesus para o monte das Oliveiras. 2.Ao
romper da manhã, voltou ao templo e todo o povo veio a ele. Assentou-se e
começou a ensinar. 3.Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora
apanhada em adultério. 4.Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus:
Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. 5.Moisés mandou-nos
na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso? 6.Perguntavam-lhe
isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para
a frente e escrevia com o dedo na terra. 7.Como eles insistissem, ergueu-se e
disse-lhes: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma
pedra. 8.Inclinando-se novamente, escrevia na terra. 9.A essas palavras,
sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um
por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou
sozinho, com a mulher diante dele. 10.Então ele se ergueu e vendo ali apenas a
mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te
condenou? 11.Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te
condeno. Vai e não tornes a pecar.
Jesus, a luz do mundo - Jo 8,12-20
12.Falou-lhes outra vez Jesus: Eu sou a luz do
mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. 13.A
isso, os fariseus lhe disseram: Tu dás testemunho de ti mesmo; teu testemunho
não é digno de fé. 14.Respondeu-lhes Jesus: Embora eu dê testemunho de mim
mesmo, o meu testemunho é digno de fé, porque sei de onde vim e para onde vou;
mas vós não sabeis de onde venho nem para onde vou. 15.Vós julgais segundo a
aparência; eu não julgo ninguém. 16.E, se julgo, o meu julgamento é conforme a
verdade, porque não estou sozinho, mas comigo está o Pai que me enviou. 17.Ora,
na vossa lei está escrito: O testemunho de duas pessoas é digno de fé. 18.Eu dou
testemunho de mim mesmo; e meu Pai, que me enviou, o dá também.
19.Perguntaram-lhe: Onde está teu Pai? Respondeu Jesus: Não conheceis nem a mim
nem a meu Pai; se me conhecêsseis, certamente conheceríeis também a meu Pai.
20.Estas palavras proferiu Jesus ensinando no templo,
junto aos cofres de esmola. Mas ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada
a sua hora.
Cura do cego de nascença - Jo 9,1-41
1.Caminhando, viu Jesus um cego de nascença. 2.Os
seus discípulos indagaram dele: Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais,
para que nascesse cego? 3.Jesus respondeu: Nem este pecou nem seus pais, mas é
necessário que nele se manifestem as obras de Deus. 4.Enquanto for dia,
cumpre-me terminar as obras daquele que me enviou. Virá a noite, na qual já
ninguém pode trabalhar. 5.Por isso, enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.
6.Dito isso, cuspiu no chão, fez um pouco de lodo com a saliva e com o lodo
ungiu os olhos do cego. 7.Depois lhe disse: Vai, lava-te na piscina de Siloé
(esta palavra significa emissário). O cego foi, lavou-se e voltou vendo.
8.Então os vizinhos e aqueles que antes o tinham visto
mendigar perguntavam: Não é este aquele que, sentado, mendigava? 9.Respondiam
alguns: É ele. Outros contestavam: De nenhum modo, é um parecido com ele. Ele,
porém, dizia: Sou eu mesmo. 10.Perguntaram-lhe, então: Como te foram abertos os
olhos? 11.Respondeu ele: Aquele homem que se chama Jesus fez lodo, ungiu-me os
olhos e disse-me: Vai à piscina de Siloé e lava-te. Fui, lavei-me e vejo.
12.Interrogaram-no: Onde está esse homem? Respondeu: Não o sei.
13.Levaram então o que fora cego aos fariseus. 14.Ora,
era sábado quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos. 15.Os fariseus
indagaram dele novamente de que modo ficara vendo. Respondeu-lhes: Pôs-me lodo
nos olhos, lavei-me e vejo. 16.Diziam alguns dos fariseus: Este homem não é o
enviado de Deus, pois não guarda sábado. Outros replicavam: Como pode um pecador
fazer tais prodígios? E havia desacordo entre eles. 17.Perguntaram ainda ao
cego: Que dizes tu daquele que te abriu os olhos? É um profeta, respondeu ele.
18.Mas os judeus não quiseram admitir que aquele homem
tivesse sido cego e que tivesse recobrado a vista, até que chamaram seus pais.
19.E os interrogaram: É este o vosso filho? Afirmais que ele nasceu cego? Pois
como é que agora vê? 20.Seus pais responderam: Sabemos que este é o nosso filho
e que nasceu cego. 21.Mas não sabemos como agora ficou vendo, nem quem lhe abriu
os olhos. Perguntai-o a ele. Tem idade. Que ele mesmo explique. 22.Seus pais
disseram isso porque temiam os judeus, pois os judeus tinham ameaçado expulsar
da sinagoga todo aquele que reconhecesse Jesus como o Cristo. 23.Por isso é que
seus pais responderam: Ele tem idade, perguntai-lho.
24.Tornaram a chamar o homem que fora cego,
dizendo-lhe: Dá glória a Deus! Nós sabemos que este homem é pecador.
25.Disse-lhes ele: Se esse homem é pecador, não o sei... Sei apenas isto: sendo
eu antes cego, agora vejo. 26.Perguntaram-lhe ainda uma vez: Que foi que ele te
fez? Como te abriu os olhos? 27.Respondeu-lhes: Eu já vo-lo disse e não me
destes ouvidos. Por que quereis tornar a ouvir? Quereis vós, porventura,
tornar-vos também seus discípulos?... 28.Então eles o cobriram de injúrias e lhe
disseram: Tu que és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés. 29.Sabemos
que Deus falou a Moisés, mas deste não sabemos de onde ele é. 30.Respondeu
aquele homem: O que é de admirar em tudo isso é que não saibais de onde ele é, e
entretanto ele me abriu os olhos. 31.Sabemos, porém, que Deus não ouve a
pecadores, mas atende a quem lhe presta culto e faz a sua vontade. 32.Jamais se
ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. 33.Se esse
homem não fosse de Deus, não poderia fazer nada. 34.Responderam-lhe eles: Tu
nasceste todo em pecado e nos ensinas?... E expulsaram-no.
35.Jesus soube que o tinham expulsado e, havendo-o
encontrado, perguntou-lhe: Crês no Filho do Homem? 36.Respondeu ele: Quem é ele,
Senhor, para que eu creia nele? 37.Disse-lhe Jesus: Tu o vês, é o mesmo que fala
contigo! 38.Creio, Senhor, disse ele. E, prostrando-se, o adorou. 39.Jesus então
disse: Vim a este mundo para fazer uma discriminação: os que não vêem vejam, e
os que vêem se tornem cegos. 40.Alguns dos fariseus, que estavam com ele,
ouviram-no e perguntaram-lhe: Também nós somos, acaso, cegos?...
41.Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado, mas agora
pretendeis ver, e o vosso pecado subsiste.
Parábola do bom pastor - Jo 10,1-21
1.Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra
pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e
salteador. 2.Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3.A este o
porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as
conduz à pastagem. 4.Depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora, vai
adiante delas; e as ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz. 5.Mas não seguem
o estranho; antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. 6.Jesus
disse-lhes essa parábola, mas não entendiam do que ele queria falar.
7.Jesus tornou a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos
digo: eu sou a porta das ovelhas. 8.Todos quantos vieram antes de mim foram
ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram. 9.Eu sou a porta. Se
alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá e encontrará
pastagem. 10.O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para
que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância.
11.Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a sua vida
pelas ovelhas. 12.O mercenário, porém, que não é pastor, a quem não pertencem as
ovelhas, quando vê que o lobo vem vindo, abandona as ovelhas e foge; o lobo
rouba e dispersa as ovelhas. 13.O mercenário, porém, foge, porque é mercenário e
não se importa com as ovelhas.
14.Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as
minhas ovelhas conhecem a mim, 15.como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai.
Dou a minha vida pelas minhas ovelhas. 16.Tenho ainda outras ovelhas que não são
deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só
rebanho e um só pastor. 17.O Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar.
18.Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar,
como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai.
19.A propósito dessas palavras, originou-se nova
divisão entre os judeus. 20.Muitos deles diziam: Ele está possuído do demônio.
Ele delira. Por que o escutais vós? 21.Outros diziam: Estas palavras não são de
quem está endemoninhado. Acaso pode o demônio abrir os olhos a um cego?
Missão dos setenta e dois - Lc 10,1-24
1.Depois disso, designou o Senhor ainda setenta e
dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as
cidades e lugares para onde ele tinha de ir. 2.Disse-lhes: Grande é a messe, mas
poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua
messe. 3.Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos. 4.Não leveis bolsa
nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho. 5.Em toda casa em que
entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa! 6.Se ali houver algum homem
pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para
vós. 7.Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o
operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa. 8.Em qualquer
cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir. 9.Curai os
enfermos que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus está próximo. 10.Mas se
entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saindo pelas suas praças, dizei:
11.Até o pó que se nos pegou da vossa cidade, sacudimos contra vós; sabei,
contudo, que o Reino de Deus está próximo. 12.Digo-vos: naqueles dias haverá um
tratamento menos rigoroso para Sodoma.
13.Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se
em Tiro e Sidônia tivessem sido feitos os prodígios que foram realizados em
vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, cobrindo-se de saco e cinza.
14.Por isso haverá no dia do juízo menos rigor para Tiro e Sidônia do que para
vós. 15.E tu, Cafarnaum, que te elevas até o céu, serás precipitada até aos
infernos. 16.Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e
quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.
17.Voltaram alegres os setenta e dois, dizendo: Senhor,
até os demônios se nos submetem em teu nome! 18.Jesus disse-lhes: Vi Satanás
cair do céu como um raio. 19.Eis que vos dei poder para pisar serpentes,
escorpiões e todo o poder do inimigo. 20.Contudo, não vos alegreis porque os
espíritos vos estão sujeitos, mas alegrai-vos de que os vossos nomes estejam
escritos nos céus.
21.Naquele mesma hora, Jesus exultou de alegria no
Espírito Santo e disse: Pai, Senhor do céu e da terra, eu te dou graças porque
escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos.
Sim, Pai, bendigo-te porque assim foi do teu agrado. 22.Todas as coisas me foram
entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o
Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 23.E voltou-se para
os seus discípulos, e disse: Ditosos os olhos que vêem o que vós vedes, 24.pois
vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o
viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.
Parábola do bom samaritano - Lc 10,25-37
25.Levantou-se um doutor da lei e, para pô-lo à
prova, perguntou: Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?
26.Disse-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como é que lês? 27.Respondeu ele:
Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as
tuas forças e de todo o teu pensamento; e a teu próximo como a ti mesmo.
28.Falou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isto e viverás. 29.Mas ele, querendo
justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo? 30.Jesus então contou:
Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de ladrões, que o
despojaram; e depois de o terem maltratado com muitos ferimentos, retiraram-se,
deixando-o meio morto. 31.Por acaso desceu pelo mesmo caminho um sacerdote,
viu-o e passou adiante. 32.Igualmente um levita, chegando àquele lugar, viu-o e
passou também adiante. 33.Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar,
viu-o e moveu-se de compaixão. 34.Aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando
nelas azeite e vinho; colocou-o sobre a sua própria montaria e levou-o a uma
hospedaria e tratou dele. 35.No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao
hospedeiro, dizendo-lhe: Trata dele e, quanto gastares a mais, na volta to
pagarei. 36.Qual destes três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos
dos ladrões? 37.Respondeu o doutor: Aquele que usou de misericórdia para com
ele. Então Jesus lhe disse: Vai, e faze tu o mesmo.
Hospitalidade de Marta e Maria - Lc 10,38-42
38.Estando Jesus em viagem, entrou numa aldeia,
onde uma mulher, chamada Marta, o recebeu em sua casa. 39.Tinha ela uma irmã por
nome Maria, que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. 40.Marta, toda
preocupada na lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor, não te importas que
minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude. 41.Respondeu-lhe o
Senhor: Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas;
42.no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe
não será tirada.
Jesus censura os fariseus e os escribas - Lc 11,37-54
37.Enquanto Jesus falava, pediu-lhe um fariseu que
fosse jantar em sua companhia. Ele entrou e pôs-se à mesa. 38.Admirou-se o
fariseu de que ele não se tivesse lavado antes de comer. 39.Disse-lhe o Senhor:
Vós, fariseus, limpais o que está por fora do vaso e do prato, mas o vosso
interior está cheio de roubo e maldade! 40.Insensatos! Quem fez o exterior não
fez também o conteúdo? 41.Dai antes em esmola o que possuís, e todas as coisas
vos serão limpas. 42.Ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da
arruda e de diversas ervas e desprezais a justiça e o amor de Deus. No entanto,
era necessário praticar estas coisas, sem contudo deixar de fazer aquelas outras
coisas. 43.Ai de vós, fariseus, que gostais das primeiras cadeiras nas sinagogas
e das saudações nas praças públicas! 44.Ai de vós, que sois como os sepulcros
que não aparecem, e sobre os quais os homens caminham sem o saber.
45.Um dos doutores da lei lhe disse: Mestre, falando
assim também a nós outros nos afrontas. 46.Ele respondeu: Ai também de vós,
doutores da lei, que carregais os homens com pesos que não podem levar, mas vós
mesmos nem sequer com um dedo vosso tocais os fardos. 47.Ai de vós, que
edificais sepulcros para os profetas que vossos pais mataram. 48.Vós servis
assim de testemunhas das obras de vossos pais e as aprovais, porque em verdade
eles os mataram, mas vós lhes edificais os sepulcros. 49.Por isso, também disse
a sabedoria de Deus: Enviar-lhes-ei profetas e apóstolos, mas eles darão a morte
a uns e perseguirão a outros. 50.E assim se pedirá conta a esta geração do
sangue de todos os profetas derramado desde a criação do mundo, 51.desde o
sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi assassinado entre o altar e o
templo. Sim, declaro-vos que se pedirá conta disso a esta geração! 52.Ai de vós,
doutores da lei, que tomastes a chave da ciência, e vós mesmos não entrastes e
impedistes aos que vinham para entrar.
53.Depois que Jesus saiu dali, os escribas e fariseus
começaram a importuná-lo fortemente e a persegui-lo com muitas perguntas,
54.armando-lhe desta maneira ciladas, e procurando surpreendê-lo nalguma palavra
de sua boca.
A figueira estéril - Lc 13,6-9
6.Então Jesus contou esta parábola: Um homem havia
plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou. 7.Disse
ao viticultor: - Eis que três anos há que venho procurando fruto nesta figueira
e não o acho. Corta-a; para que ainda ocupa inutilmente o terreno? 8.Mas o
viticultor respondeu: - Senhor, deixa-a ainda este ano; eu lhe cavarei em redor
e lhe deitarei adubo. 9.Talvez depois disto dê frutos. Caso contrário,
cortá-la-ás.
O pecado - Mt 18,15-20
15.Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e
repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão. 16.Se
não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se
resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. 17.Se recusa ouvi-los, dize-o
à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e
um publicano. 18.Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será
ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no
céu. 19.Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir,
seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus. 20.Porque onde dois
ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.
Parábola do credor incompassivo - Mt 18,21-35
21.Pedro se aproximou dele e disse: Senhor, quantas
vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?
22.Respondeu Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
23.Por isso, o Reino dos céus é comparado a um rei que quis ajustar contas com
seus servos. 24.Quando começou a ajustá-las, trouxeram-lhe um que lhe devia dez
mil talentos. 25.Como ele não tinha com que pagar, seu senhor ordenou que fosse
vendido, ele, sua mulher, seus filhos e todos os seus bens para pagar a dívida.
26.Este servo, então, prostrou-se por terra diante dele e suplicava-lhe: Dá-me
um prazo, e eu te pagarei tudo! 27.Cheio de compaixão, o senhor o deixou ir
embora e perdoou-lhe a dívida. 28.Apenas saiu dali, encontrou um de seus
companheiros de serviço que lhe devia cem denários. Agarrou-o na garganta e
quase o estrangulou, dizendo: Paga o que me deves! 29.O outro caiu-lhe aos pés e
pediu-lhe: Dá-me um prazo e eu te pagarei! 30.Mas, sem nada querer ouvir, este
homem o fez lançar na prisão, até que tivesse pago sua dívida. 31.Vendo isto, os
outros servos, profundamente tristes, vieram contar a seu senhor o que se tinha
passado. 32.Então o senhor o chamou e lhe disse: Servo mau, eu te perdoei toda a
dívida porque me suplicaste. 33.Não devias também tu compadecer-te de teu
companheiro de serviço, como eu tive piedade de ti? 34.E o senhor, encolerizado,
entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida. 35.Assim vos tratará
meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração.
Parábola da ovelha perdida, da moeda perdida e do filho pródigo - Lc 15,1-32
1.Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os
pecadores para ouvi-lo. 2.Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem
recebe e come com pessoas de má vida!
3.Então lhes propôs a seguinte parábola: 4.Quem de vós que, tendo cem ovelhas e
perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que
se perdeu, até encontrá-la? 5.E depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio
de júbilo, 6.e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes:
Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido. 7.Digo-vos que
assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que
por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.
8.Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo
uma delas, não acende a lâmpada, varre a casa e a busca diligentemente, até
encontrá-la? 9.E tendo-a encontrado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo:
Regozijai-vos comigo, achei a dracma que tinha perdido. 10.Digo-vos que haverá
júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa.
11.Disse também: Um homem tinha dois filhos. 12.O mais
moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então
repartiu entre eles os haveres. 13.Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe
pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a
sua fortuna, vivendo dissolutamente. 14.Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio
àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria. 15.Foi pôr-se ao
serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos
guardar os porcos. 16.Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam,
mas ninguém lhas dava. 17.Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há
na casa de meu pai que têm pão em abundância... e eu, aqui, estou a morrer de
fome! 18.Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o
céu e contra ti; 19.já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a
um dos teus empregados. 20.Levantou-se, pois, e foi ao encontro do pai.
Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de
compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. 21.O
filho lhe disse, então: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou
digno de ser chamado teu filho. 22.Mas o pai falou aos servos: Trazei-me
depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos
pés. 23.Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa.
24.Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E
começaram a festa.
25.O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e
aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. 26.Chamou um servo e
perguntou-lhe o que havia. 27.Ele lhe explicou: Voltou teu irmão. E teu pai
mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo.
28.Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele.
29.Ele, então, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais
transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os
meus amigos. 30.E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com
as meretrizes, logo lhe mandaste matar um novilho gordo! 31.Explicou-lhe o pai:
Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32.Convinha, porém,
fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e
foi achado.
Parábola do mordomo infiel e do rico e Lázaro - Lc 16,1-31
1.Jesus disse também a seus discípulos: Havia um
homem rico que tinha um administrador. Este lhe foi denunciado de ter dissipado
os seus bens. 2.Ele chamou o administrador e lhe disse: Que é que ouço dizer de
ti? Presta contas da tua administração, pois já não poderás administrar meus
bens. 3.O administrador refletiu então consigo: Que farei, visto que meu patrão
me tira o emprego? Lavrar a terra? Não o posso. Mendigar? Tenho vergonha. 4.Já
sei o que fazer, para que haja quem me receba em sua casa, quando eu for
despedido do emprego. 5.Chamou, pois, separadamente a cada um dos devedores de
seu patrão e perguntou ao primeiro: Quanto deves a meu patrão? 6.Ele respondeu:
Cem medidas de azeite. Disse-lhe: Toma a tua conta, senta-te depressa e escreve:
cinqüenta. 7.Depois perguntou ao outro: Tu, quanto deves? Respondeu: Cem medidas
de trigo. Disse-lhe o administrador: Toma os teus papéis e escreve: oitenta. 8.E
o proprietário admirou a astúcia do administrador, porque os filhos deste mundo
são mais prudentes do que os filhos da luz no trato com seus semelhantes.
9.Eu vos digo: fazei-vos amigos com a riqueza injusta,
para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos
eternos. 10.Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas
grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes.
11.Se, pois, não tiverdes sido fiéis nas riquezas injustas, quem vos confiará as
verdadeiras? 12.E se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso?
13.Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um e amar o outro,
ou há de aderir a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao
dinheiro.
14.Ora, ouviam tudo isto os fariseus, que eram
avarentos, e zombavam dele. 15.Jesus disse-lhes: Vós procurais parecer justos
aos olhos dos homens, mas Deus vos conhece os corações; pois o que é elevado aos
olhos dos homens é abominável aos olhos de Deus. 16.A lei e os profetas duraram
até João. Desde então é anunciado o Reino de Deus, e cada um faz violência para
aí entrar. 17.Mais facilmente, porém, passará o céu e a terra do que se perderá
uma só letra da lei. 18.Todo o que abandonar sua mulher e casar com outra,
comete adultério; e quem se casar com a mulher rejeitada, comete adultério
também.
19.Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho
finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava. 20.Havia também um
mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta do
rico. 21.Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa
do rico... Até os cães iam lamber-lhe as chagas. 22.Ora, aconteceu morrer o
mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi
sepultado. 23.E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu,
ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio. 24.Gritou, então: - Pai Abraão,
compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim
de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas.
25.Abraão, porém, replicou: - Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em
vida, mas Lázaro, males; por isso ele agora aqui é consolado, mas tu estás em
tormento. 26.Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que,
os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá.
27.O rico disse: - Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois
tenho cinco irmãos, 28.para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles
parar neste lugar de tormentos. 29.Abraão respondeu: - Eles lá têm Moisés e os
profetas; ouçam-nos! 30.O rico replicou: - Não, pai Abraão; mas se for a eles
algum dos mortos, arrepender-se-ão. 31.Abraão respondeu-lhe: - Se não ouvirem a
Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite
algum dos mortos.
Ressurreição de Lázaro - Jo 11,1-54
1.Lázaro caiu doente em Betânia, onde estavam Maria
e sua irmã Marta. 2.Maria era quem ungira o Senhor com o óleo perfumado e lhe
enxugara os pés com os seus cabelos. E Lázaro, que estava enfermo, era seu
irmão. 3.Suas irmãs mandaram, pois, dizer a Jesus: Senhor, aquele que tu amas
está enfermo. 4.A estas palavras, disse-lhes Jesus: Esta enfermidade não causará
a morte, mas tem por finalidade a glória de Deus. Por ela será glorificado o
Filho de Deus. 5.Ora, Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro. 6.Mas,
embora tivesse ouvido que ele estava enfermo, demorou-se ainda dois dias no
mesmo lugar. 7.Depois, disse a seus discípulos: Voltemos para a Judéia.
8.Mestre, responderam eles, há pouco os judeus te queriam apedrejar, e voltas
para lá?
9.Jesus respondeu: Não são doze as horas do dia? Quem
caminha de dia não tropeça, porque vê a luz deste mundo. 10.Mas quem anda de
noite tropeça, porque lhe falta a luz. 11.Depois destas palavras, ele
acrescentou: Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo. 12.Disseram-lhe os
seus discípulos: Senhor, se ele dorme, há de sarar. 13.Jesus, entretanto, falara
da sua morte, mas eles pensavam que falasse do sono como tal.
14.Então Jesus lhes declarou abertamente: Lázaro
morreu. 15.Alegro-me por vossa causa, por não ter estado lá, para que creiais.
Mas vamos a ele. 16.A isso Tomé, chamado Dídimo, disse aos seus condiscípulos:
Vamos também nós, para morrermos com ele.
17.À chegada de Jesus, já havia quatro dias que Lázaro
estava no sepulcro. 18.Ora, Betânia distava de Jerusalém cerca de quinze
estádios. 19.Muitos judeus tinham vindo a Marta e a Maria, para lhes apresentar
condolências pela morte de seu irmão. 20.Mal soube Marta da vinda de Jesus,
saiu-lhe ao encontro. Maria, porém, estava sentada em casa.
21.Marta disse a Jesus: Senhor, se tivesses estado
aqui, meu irmão não teria morrido! 22.Mas sei também, agora, que tudo o que
pedires a Deus, Deus to concederá. 23.Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressurgirá.
24.Respondeu-lhe Marta: Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia.
25.Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda
que esteja morto, viverá. 26.E todo aquele que vive e crê em mim, jamais
morrerá. Crês nisto? 27.Respondeu ela: Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo,
o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo.
28.A essas palavras, ela foi chamar sua irmã Maria,
dizendo-lhe baixinho: O Mestre está aí e te chama. 29.Apenas ela o ouviu,
levantou-se imediatamente e foi ao encontro dele. 30.Pois Jesus não tinha
chegado à aldeia, mas estava ainda naquele lugar onde Marta o tinha encontrado.
31.Os judeus que estavam com ela em casa, em visita de
pêsames, ao verem Maria levantar-se depressa e sair, seguiram-na, crendo que ela
ia ao sepulcro para ali chorar.
32.Quando, porém, Maria chegou onde Jesus estava e o
viu, lançou-se aos seus pés e disse-lhe: Senhor, se tivesses estado aqui, meu
irmão não teria morrido! 33.Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus
que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o
impulso de profunda emoção, 34.perguntou: Onde o pusestes? Responderam-lhe:
Senhor, vinde ver. 35.Jesus pôs-se a chorar. 36.Observaram por isso os judeus:
Vede como ele o amava! 37.Mas alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os
olhos do cego de nascença, fazer com que este não morresse?
38.Tomado, novamente, de profunda emoção, Jesus foi ao
sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra. 39.Jesus ordenou: Tirai a pedra.
Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que
ele está aí... 40.Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu: Se creres, verás a
glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra. 41.Levantando Jesus os olhos ao alto,
disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. 42.Eu bem sei que sempre me
ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu
me enviaste. 43.Depois destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para
fora! 44.E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto
coberto por um sudário. Ordenou então Jesus: Desligai-o e deixai-o ir.
45.Muitos dos judeus, que tinham vindo a Marta e Maria
e viram o que Jesus fizera, creram nele. 46.Alguns deles, porém, foram aos
fariseus e lhes contaram o que Jesus realizara. 47.Os pontífices e os fariseus
convocaram o conselho e disseram: Que faremos? Esse homem multiplica os
milagres. 48.Se o deixarmos proceder assim, todos crerão nele, e os romanos
virão e arruinarão a nossa cidade e toda a nação. 49.Um deles, chamado Caifás,
que era o sumo sacerdote daquele ano, disse-lhes: Vós não entendeis nada! 50.Nem
considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça
toda a nação. 51.E ele não disse isso por si mesmo, mas, como era o sumo
sacerdote daquele ano, profetizava que Jesus havia de morrer pela nação, 52.e
não somente pela nação, mas também para que fossem reconduzidos à unidade os
filhos de Deus dispersos. 53.E desde aquele momento resolveram tirar-lhe a vida.
54.Em conseqüência disso, Jesus já não andava em público entre os judeus.
Retirou-se para uma região vizinha do deserto, a uma cidade chamada Efraim, e
ali se detinha com seus discípulos.
Cura de dez leprosos - Lc 17,11-19
11.Sempre em caminho para Jerusalém, Jesus passava
pelos confins da Samaria e da Galiléia. 12.Ao entrar numa aldeia, vieram-lhe ao
encontro dez leprosos, que pararam ao longe e elevaram a voz, clamando:
13.Jesus, Mestre, tem compaixão de nós! 14.Jesus viu-os e disse-lhes: Ide,
mostrai-vos ao sacerdote. E quando eles iam andando, ficaram curados. 15.Um
deles, vendo-se curado, voltou, glorificando a Deus em alta voz. 16.Prostrou-se
aos pés de Jesus e lhe agradecia. E era um samaritano. 17.Jesus lhe disse: Não
ficaram curados todos os dez? Onde estão os outros nove? 18.Não se achou senão
este estrangeiro que voltasse para agradecer a Deus?! 19.E acrescentou:
Levanta-te e vai, tua fé te salvou.
Parábola do juiz iníquo e do fariseu e o publicano - Lc 18,1-14
1.Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é
necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo. 2.Havia em certa cidade um
juiz que não temia a Deus, nem respeitava pessoa alguma. 3.Na mesma cidade vivia
também uma viúva que vinha com freqüência à sua presença para dizer-lhe: Faze-me
justiça contra o meu adversário. 4.Ele, porém, por muito tempo não o quis. Por
fim, refletiu consigo: Eu não temo a Deus nem respeito os homens; 5.todavia,
porque esta viúva me importuna, far-lhe-ei justiça, senão ela não cessará de me
molestar. 6.Prosseguiu o Senhor: Ouvis o que diz este juiz injusto? 7.Por acaso
não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e
noite? Porventura tardará em socorrê-los? 8.Digo-vos que em breve lhes fará
justiça. Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?
9.Jesus lhes disse ainda esta parábola a respeito de
alguns que se vangloriavam como se fossem justos, e desprezavam os outros:
10.Subiram dois homens ao templo para orar. Um era fariseu; o outro, publicano.
11.O fariseu, em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus,
que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o
publicano que está ali. 12.Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos
os meus lucros. 13.O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava
sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem
piedade de mim, que sou pecador! 14.Digo-vos: este voltou para casa justificado,
e não o outro. Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar
será exaltado.
Jesus abençoa as crianças - Mt 19,13-15
13.Foram-lhe, então, apresentadas algumas
criancinhas para que pusesse as mãos sobre elas e orasse por elas. Os
discípulos, porém, as afastavam. 14.Disse-lhes Jesus: Deixai vir a mim estas
criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se
lhes assemelham. 15.E, depois de impor-lhes as mãos, continuou seu caminho.
O jovem rico - Mt 19,16-30
16.Um jovem aproximou-se de Jesus e lhe perguntou:
Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna? Disse-lhe Jesus: 17.Por
que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom. Se
queres entrar na vida, observa os mandamentos. 18.Quais?, perguntou ele. Jesus
respondeu: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso
testemunho, 19.honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo.
20.Disse-lhe o jovem: Tenho observado tudo isto desde a minha infância. Que me
falta ainda? 21.Respondeu Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens,
dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me! 22.Ouvindo
estas palavras, o jovem foi embora muito triste, porque possuía muitos bens.
23.Jesus disse então aos seus discípulos: Em verdade
vos declaro: é difícil para um rico entrar no Reino dos céus! 24.Eu vos repito:
é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no
Reino de Deus. 25.A estas palavras seus discípulos, pasmados, perguntaram: Quem
poderá então salvar-se? 26.Jesus olhou para eles e disse: Aos homens isto é
impossível, mas a Deus tudo é possível.
27.Pedro então, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que
deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós? 28.Respondeu Jesus: Em
verdade vos declaro: no dia da renovação do mundo, quando o Filho do Homem
estiver sentado no trono da glória, vós, que me haveis seguido, estareis
sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. 29.E todo aquele
que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou
casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna. 30.Muitos dos primeiros serão
os últimos e muitos dos últimos serão os primeiros.
Parábola dos trabalhadores na vinha - Mt 20,1-16
1.Com efeito, o Reino dos céus é semelhante a um
pai de família que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar operários para
sua vinha. 2.Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para sua vinha.
3.Cerca da terceira hora, saiu ainda e viu alguns que estavam na praça sem fazer
nada. 4.Disse-lhes ele: - Ide também vós para minha vinha e vos darei o justo
salário. 5.Eles foram. À sexta hora saiu de novo e igualmente pela nona hora, e
fez o mesmo. 6.Finalmente, pela undécima hora, encontrou ainda outros na praça e
perguntou-lhes: - Por que estais todo o dia sem fazer nada? 7.Eles responderam:
- É porque ninguém nos contratou. Disse-lhes ele, então: - Ide vós também para
minha vinha. 8.Ao cair da tarde, o senhor da vinha disse a seu feitor: - Chama
os operários e paga-lhes, começando pelos últimos até os primeiros. 9.Vieram
aqueles da undécima hora e receberam cada qual um denário. 10.Chegando por sua
vez os primeiros, julgavam que haviam de receber mais. Mas só receberam cada
qual um denário. 11.Ao receberem, murmuravam contra o pai de família, dizendo:
12.- Os últimos só trabalharam uma hora... e deste-lhes tanto como a nós, que
suportamos o peso do dia e do calor. 13.O senhor, porém, observou a um deles: -
Meu amigo, não te faço injustiça. Não contrataste comigo um denário? 14.Toma o
que é teu e vai-te. Eu quero dar a este último tanto quanto a ti. 15.Ou não me é
permitido fazer dos meus bens o que me apraz? Porventura vês com maus olhos que
eu seja bom? 16.Assim, pois, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão
os últimos. [Muitos serão os chamados, mas poucos os escolhidos.]
Cura do cego Bartimeu - Mc 10,46-52
46.Chegaram a Jericó. Ao sair dali Jesus, seus
discípulos e numerosa multidão, estava sentado à beira do caminho, mendigando,
Bartimeu, que era cego, filho de Timeu. 47.Sabendo que era Jesus de Nazaré,
começou a gritar: "Jesus, filho de Davi, em compaixão de mim!" 48.Muitos o
repreendiam, para que se calasse, mas ele gritava ainda mais alto: "Filho de
Davi, tem compaixão de mim!" 49.Jesus parou e disse: "Chamai-o" Chamaram o cego,
dizendo-lhe: "Coragem! Levanta-te, ele te chama." 50.Lançando fora a capa, o
cego ergueu-se dum salto e foi ter com ele. 51.Jesus, tomando a palavra,
perguntou-lhe: "Que queres que te faça? Rabôni, respondeu-lhe o cego, que eu
veja! 52.Jesus disse-lhe: Vai, a tua fé te salvou." No mesmo instante, ele
recuperou a vista e foi seguindo Jesus pelo caminho.
Zaqueu, o publicano - Lc 19,1-10
1.Jesus entrou em Jericó e ia atravessando a
cidade. 2.Havia aí um homem muito rico chamado Zaqueu, chefe dos recebedores de
impostos. 3.Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da
multidão, porque era de baixa estatura. 4.Ele correu adiande, subiu a um
sicômoro para o ver, quando ele passasse por ali. 5.Chegando Jesus àquele lugar
e levantando os olhos, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque é
preciso que eu fique hoje em tua casa. 6.Ele desceu a toda a pressa e recebeu-o
alegremente. 7.Vendo isto, todos murmuravam e diziam: Ele vai hospedar-se em
casa de um pecador... 8.Zaqueu, entretanto, de pé diante do Senhor, disse-lhe:
Senhor, vou dar a metade dos meus bens aos pobres e, se tiver defraudado alguém,
restituirei o quádruplo. 9.Disse-lhe Jesus: Hoje entrou a salvação nesta casa,
porquanto também este é filho de Abraão. 10.Pois o Filho do Homem veio procurar
e salvar o que estava perdido.
Parábola das minas - Lc 19,11-27
11.Ouviam-no falar. E como estava perto de
Jerusalém, alguns se persuadiam de que o Reino de Deus se havia de manifestar
brevemente; ele acrescentou esta parábola: 12.Um homem ilustre foi para um país
distante, a fim de ser investido da realeza e depois regressar. 13.Chamou dez
dos seus servos e deu-lhes dez minas, dizendo-lhes: Negociai até eu voltar.
14.Mas os homens daquela região odiavam-no e enviaram atrás dele embaixadores,
para protestarem: Não queremos que ele reine sobre nós. 15.Quando, investido da
dignidade real, voltou, mandou chamar os servos a quem confiara o dinheiro, a
fim de saber quanto cada um tinha lucrado. 16.Veio o primeiro: Senhor, a tua
mina rendeu dez outras minas. 17.Ele lhe disse: Muito bem, servo bom; porque
foste fiel nas coisas pequenas, receberás o governo de dez cidades. 18.Veio o
segundo: Senhor, a tua mina rendeu cinco outras minas. 19.Disse a este: Sê
também tu governador de cinco cidades. 20.Veio também o outro: Senhor, aqui tens
a tua mina, que guardei embrulhada num lenço; 21.pois tive medo de ti, por seres
homem rigoroso, que tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste.
22.Replicou-lhe ele: Servo mau, pelas tuas palavras te julgo. Sabias que sou
rigoroso, que tiro o que não depositei e ceifo o que não semeei... 23.Por que,
pois, não puseste o meu dinheiro num banco? Na minha volta, eu o teria retirado
com juros. 24.E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao
que tem dez minas. 25.Replicaram-lhe: Senhor, este já tem dez minas!... 26.Eu
vos declaro: a todo aquele que tiver, dar-se-lhe-á; mas, ao que não tiver,
ser-lhe-á tirado até o que tem. 27.Quanto aos que me odeiam, e que não me
quiseram por rei, trazei-os e massacrai-os na minha presença.
Entrada triunfal em Jerusalém - Mt 21,1-11
1.Aproximavam-se de Jerusalém. Quando chegaram a
Betfagé, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos,
2.dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte. Encontrareis logo uma jumenta
amarrada e com ela seu jumentinho. Desamarrai-os e trazei-mos. 3.Se alguém vos
disser qualquer coisa, respondei-lhe que o Senhor necessita deles e que ele sem
demora os devolverá. 4.Assim, neste acontecimento, cumpria-se o oráculo do
profeta: 5.Dizei à filha de Sião: Eis que teu rei vem a ti, cheio de doçura,
montado numa jumenta, num jumentinho, filho da que leva o jugo. 6.Os discípulos
foram e executaram a ordem de Jesus. 7.Trouxeram a jumenta e o jumentinho,
cobriram-nos com seus mantos e fizeram-no montar. 8.Então a multidão estendia os
mantos pelo caminho, cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada. 9.E
toda aquela multidão, que o precedia e que o seguia, clamava: Hosana ao filho de
Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos
céus! 10.Quando ele entrou em Jerusalém, alvoroçou-se toda a cidade,
perguntando: Quem é este? 11.A multidão respondia: É Jesus, o profeta de Nazaré
da Galiléia.
Purificação do Templo - Mt 21,12-17
12.Jesus entrou no templo e expulsou dali todos
aqueles que se entregavam ao comércio. Derrubou as mesas dos cambistas e os
bancos dos negociantes de pombas, 13.e disse-lhes: Está escrito: Minha casa é
uma casa de oração, mas vós fizestes dela um covil de ladrões!
14.Os cegos e os coxos vieram a ele no templo e ele os
curou, 15.com grande indignação dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas que
assistiam a seus milagres e ouviam os meninos gritar no templo: Hosana ao filho
de Davi! 16.Disseram-lhe eles: Ouves o que dizem eles? Perfeitamente,
respondeu-lhes Jesus. Nunca lestes estas palavras: Da boca dos meninos e das
crianças de peito tirastes o vosso louvor? 17.Depois os deixou e saiu da cidade
para hospedar-se em Betânia.
A figueira seca - Mt 21,18-22
18.De manhã, voltando à cidade, teve fome. 19.Vendo
uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela, mas só achou nela folhas; e
disse-lhe: Jamais nasça fruto de ti! 20.E imediatamente a figueira secou. À
vista disto, os discípulos ficaram estupefatos e disseram: Como ficou seca num
instante a figueira?! 21.Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos declaro que, se
tiverdes fé e não hesitardes, não só fareis o que foi feito a esta figueira, mas
ainda se disserdes a esta montanha: Levanta-te daí e atira-te ao mar, isso se
fará... 22.Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis.
Jesus é desafiado pelo Sinédrio - Mt 21,23-27
23.Dirigiu-se Jesus ao templo. E, enquanto
ensinava, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo aproximaram-se e
perguntaram-lhe: Com que direito fazes isso? Quem te deu esta autoridade?
24.Respondeu-lhes Jesus: Eu vos proporei também uma questão. Se responderdes, eu
vos direi com que direito o faço. 25.Donde procedia o batismo de João: do céu ou
dos homens? Ora, eles raciocinavam entre si: Se respondermos: Do céu, ele nos
dirá: Por que não crestes nele? 26.E se dissermos: Dos homens, é de temer-se a
multidão, porque todo o mundo considera João como profeta. 27.Responderam a
Jesus: Não sabemos. Pois eu tampouco vos digo, retorquiu Jesus, com que direito
faço estas coisas.
Os impostos - Mt 22,15-22
15.Reuniram-se então os fariseus para deliberar
entre si sobre a maneira de surpreender Jesus nas suas próprias palavras.
16.Enviaram seus discípulos com os herodianos, que lhe disseram: Mestre, sabemos
que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus em toda a verdade, sem te
preocupares com ninguém, porque não olhas para a aparência dos homens.
17.Dize-nos, pois, o que te parece: É permitido ou não pagar o imposto a César?
18.Jesus, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me tentais, hipócritas?
19.Mostrai-me a moeda com que se paga o imposto! Apresentaram-lhe um denário.
20.Perguntou Jesus: De quem é esta imagem e esta inscrição? 21.De César,
responderam-lhe. Disse-lhes então Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a
Deus o que é de Deus. 22.Esta resposta encheu-os de admiração e, deixando-o,
retiraram-se.
Jesus fala de sua morte - Mt 26,1-5
1.Quando Jesus acabou todos esses discursos, disse
a seus discípulos: 2.Sabeis que daqui a dois dias será a Páscoa, e o Filho do
Homem será traído para ser crucificado.
3.Então os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do
povo reuniram-se no pátio do sumo sacerdote, chamado Caifás, 4.e deliberaram
sobre os meios de prender Jesus por astúcia e de o matar. 5.E diziam: Sobretudo,
não seja durante a festa. Poderá haver um tumulto entre o povo.
Preparação para a ceia - Mt 26,17-19
17.No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos
aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Onde queres que preparemos a ceia
pascal? 18.Respondeu-lhes Jesus: Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: O
Mestre manda dizer-te: Meu tempo está próximo. É em tua casa que celebrarei a
Páscoa com meus discípulos. 19.Os discípulos fizeram o que Jesus tinha ordenado
e prepararam a Páscoa.
Jesus lava os pés dos discípulos - Jo 13,1-17
1.Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que
chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam
no mundo, até o extremo os amou. 2.Durante a ceia, o demônio já tinha lançado no
coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de trair Jesus.
3.Sabendo Jesus que o Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para
Deus voltava.
4.Então Jesus levantou-se da mesa, depôs as suas vestes
e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. 5.Em seguida, deitou água numa bacia
e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que
estava cingido. 6.Chegou a Simão Pedro. Mas Pedro lhe disse: Senhor, queres
lavar-me os pés!... 7.Respondeu-lhe Jesus: O que faço não compreendes agora, mas
compreendê-lo-ás em breve. 8.Disse-lhe Pedro: Jamais me lavarás os pés!...
Respondeu-lhe Jesus: Se eu não tos lavar, não terás parte comigo. 9.Exclamou
então Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça.
10.Disse-lhe Jesus: Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; está
inteiramente puro. Ora, vós estais puros, mas nem todos!... 11.Pois sabia quem o
havia de trair; por isso, disse: Nem todos estais puros.
12.Depois de lhes lavar os pés e tomar as suas vestes,
sentou-se novamente à mesa e perguntou-lhes: Sabeis o que vos fiz? 13.Vós me
chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. 14.Logo, se eu, vosso
Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos
outros. 15.Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós.
16.Em verdade, em verdade vos digo: o servo não é maior do que o seu Senhor, nem
o enviado é maior do que aquele que o enviou. 17.Se compreenderdes estas coisas,
sereis felizes, sob condição de as praticardes.
Instituição da Eucaristia - Lc 22,14-20
14.Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se à mesa, e
com ele os apóstolos. 15.Disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco
esta Páscoa, antes de sofrer. 16.Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que
ela se cumpra no Reino de Deus. 17.Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai
este cálice e distribuí-o entre vós. 18.Pois vos digo: já não tornarei a beber
do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus. 19.Tomou em seguida o pão e
depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que
é dado por vós; fazei isto em memória de mim. 20.Do mesmo modo tomou também o
cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que
é derramado por vós.
Judas é revelado traidor - Jo 13,18-30
18.Não digo isso de vós todos; conheço os que
escolhi, mas é preciso que se cumpra esta palavra da Escritura: Aquele que come
o pão comigo levantou contra mim o seu calcanhar. 19.Desde já vo-lo digo, antes
que aconteça, para que, quando acontecer, creiais e reconheçais quem sou eu.
20.Em verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviei recebe a
mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou.
21.Dito isso, Jesus ficou perturbado em seu espírito e
declarou abertamente: Em verdade, em verdade vos digo: um de vós me há de
trair!... 22.Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saber de quem falava.
23.Um dos discípulos, a quem Jesus amava, estava à mesa reclinado ao peito de
Jesus. 24.Simão Pedro acenou-lhe para dizer-lhe: Dize-nos, de quem é que ele
fala. 25.Reclinando-se este mesmo discípulo sobre o peito de Jesus,
interrogou-o: Senhor, quem é? 26.Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o pão
embebido. Em seguida, molhou o pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes.
27.Logo que ele o engoliu, Satanás entrou nele. Jesus disse-lhe, então: O que
queres fazer, faze-o depressa. 28.Mas ninguém dos que estavam à mesa soube por
que motivo lho dissera. 29.Pois, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que
Jesus lhe falava: Compra aquilo de que temos necessidade para a festa. Ou: Dá
alguma coisa aos pobres. 30.Tendo Judas recebido o bocado de pão, apressou-se em
sair. E era noite...
Um novo mandamento - Jo 13,31-35
31.Logo que Judas saiu, Jesus disse: Agora é
glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado nele. 32.Se Deus foi
glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará em
breve.
33.Filhinhos meus, por um pouco apenas ainda estou
convosco. Vós me haveis de procurar, mas como disse aos judeus, também vos digo
agora a vós: para onde eu vou, vós não podeis ir. 34.Dou-vos um novo mandamento:
Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis
amar-vos uns aos outros. 35.Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se
vos amardes uns aos outros.
Jesus é preso - Mt 26,30-56
30.Depois do canto dos Salmos, dirigiram-se eles
para o monte das Oliveiras. 31.Disse-lhes então Jesus: Esta noite serei para
todos vós uma ocasião de queda; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as
ovelhas do rebanho serão dispersadas. 32.Mas, depois da minha Ressurreição, eu
vos precederei na Galiléia. 33.Pedro interveio: Mesmo que sejas para todos uma
ocasião de queda, para mim jamais o serás. 34.Disse-lhe Jesus: Em verdade te
digo: nesta noite mesma, antes que o galo cante, três vezes me negarás.
35.Respondeu-lhe Pedro: Mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te
negarei! E todos os outros discípulos diziam-lhe o mesmo.
36.Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado
Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. 37.E,
tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a
angustiar-se. 38.Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai
aqui e vigiai comigo. 39.Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por
terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia
não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres. 40.Foi ter então com os
discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: Então não pudestes vigiar
uma hora comigo... 41.Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito
está pronto, mas a carne é fraca.
42.Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu
Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua
vontade! 43.Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos
estavam pesados. 44.Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas
palavras. 45.Voltou então para os seus discípulos e disse-lhes: Dormi agora e
repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos
pecadores... 46.Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui.
47.Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze,
e com ele uma multidão de gente armada de espadas e cacetes, enviada pelos
príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. 48.O traidor combinara com
eles este sinal: Aquele que eu beijar, é ele. Prendei-o! 49.Aproximou-se
imediatamente de Jesus e disse: Salve, Mestre. E beijou-o. 50.Disse-lhe Jesus:
É, então, para isso que vens aqui? Em seguida, adiantaram-se eles e lançaram mão
em Jesus para prendê-lo. 51.Mas um dos companheiros de Jesus desembainhou a
espada e feriu um servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha. 52.Jesus, no
entanto, lhe disse: Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da
espada, pela espada morrerão. 53.Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele não
me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos? 54.Mas como se
cumpririam então as Escrituras, segundo as quais é preciso que seja assim?
55.Depois, voltando-se para a turba, falou: Saístes
armados de espadas e porretes para prender-me, como se eu fosse um malfeitor.
Entretanto, todos os dias estava eu sentado entre vós ensinando no templo e não
me prendestes. 56.Mas tudo isto aconteceu porque era necessário que se
cumprissem os oráculos dos profetas. Então os discípulos o abandonaram e
fugiram.
Jesus perante o Sinédrio - Jo 18,12-14, 19-24
12.Então a coorte, o tribuno e os guardas dos
judeus prenderam Jesus e o ataram. 13.Conduziram-no primeiro a Anás, por ser
sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano. 14.Caifás fora quem dera
aos judeus o conselho: Convém que um só homem morra em lugar do povo.
19.O sumo sacerdote indagou de Jesus acerca dos seus
discípulos e da sua doutrina. 20.Jesus respondeu-lhe: Falei publicamente ao
mundo. Ensinei na sinagoga e no templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei
às ocultas. 21.Por que me perguntas? Pergunta àqueles que ouviram o que lhes
disse. Estes sabem o que ensinei. 22.A estas palavras, um dos guardas presentes
deu uma bofetada em Jesus, dizendo: É assim que respondes ao sumo sacerdote?
23.Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me
bates? 24.Anás enviou-o preso ao sumo sacerdote Caifás.
Julgamento por Caifás - Mt 26,57-68
57.Os que haviam prendido Jesus levaram-no à casa
do sumo sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os escribas e os anciãos do
povo. 58.Pedro seguia-o de longe, até o pátio do sumo sacerdote. Entrou e
sentou-se junto aos criados para ver como terminaria aquilo.
59.Enquanto isso, os príncipes dos sacerdotes e todo o
conselho procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de o levarem à
morte. 60.Mas não o conseguiram, embora se apresentassem muitas falsas
testemunhas. 61.Por fim, apresentaram-se duas testemunhas, que disseram: Este
homem disse: Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo em três dias.
62.Levantou-se o sumo sacerdote e lhe perguntou: Nada tens a responder ao que
essa gente depõe contra ti? 63.Jesus, no entanto, permanecia calado. Disse-lhe o
sumo sacerdote: Por Deus vivo, conjuro-te que nos digas se és o Cristo, o Filho
de Deus? 64.Jesus respondeu: Sim. Além disso, eu vos declaro que vereis
doravante o Filho do Homem sentar-se à direita do Todo-poderoso, e voltar sobre
as nuvens do céu. 65.A estas palavras, o sumo sacerdote rasgou suas vestes,
exclamando: Que necessidade temos ainda de testemunhas? Acabastes de ouvir a
blasfêmia! 66.Qual o vosso parecer? Eles responderam: Merece a morte!
67.Cuspiram-lhe então na face, bateram-lhe com os punhos e deram-lhe tapas,
68.dizendo: Adivinha, ó Cristo: quem te bateu?
Pedro nega Jesus - Mt 26,69-75
69.Enquanto isso, Pedro estava sentado no pátio.
Aproximou-se dele uma das servas, dizendo: Também tu estavas com Jesus, o
Galileu. 70.Mas ele negou publicamente, nestes termos: Não sei o que dizes.
71.Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse
aos que lá estavam: Este homem também estava com Jesus de Nazaré. 72.Pedro, pela
segunda vez, negou com juramento: Eu nem conheço tal homem. 73.Pouco depois, os
que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: Sim, tu és daqueles; teu
modo de falar te dá a conhecer. 74.Pedro então começou a fazer imprecações,
jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo.
75.Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante,
negar-me-ás três vezes. E saindo, chorou amargamente.
Condenação pelo conselho - Mt 27,1-2
1.Chegando a manhã, todos os príncipes dos
sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se em conselho para entregar Jesus à
morte. 2.Ligaram-no e o levaram ao governador Pilatos.
Suicídio de Judas - Mt 27,3-10
3.Judas, o traidor, vendo-o então condenado, tomado
de remorsos, foi devolver aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos as trinta
moedas de prata, 4.dizendo-lhes: Pequei, entregando o sangue de um justo.
Responderam-lhe: Que nos importa? Isto é lá contigo! 5.Ele jogou então no templo
as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se. 6.Os príncipes dos sacerdotes
tomaram o dinheiro e disseram: Não é permitido lançá-lo no tesouro sagrado,
porque se trata de preço de sangue. 7.Depois de haverem deliberado, compraram
com aquela soma o campo do Oleiro, para que ali se fizesse um cemitério de
estrangeiros. 8.Esta é a razão por que aquele terreno é chamado, ainda hoje,
Campo de Sangue. 9.Assim se cumpriu a profecia do profeta Jeremias: Eles
receberam trinta moedas de prata, preço daquele cujo valor foi estimado pelos
filhos de Israel; 10.e deram-no pelo campo do Oleiro, como o Senhor me havia
prescrito.
Jesus perante Pilatos - Lc 23,1-7
1.Levantou-se a sessão e conduziram Jesus diante de
Pilatos, 2.e puseram-se a acusá-lo: Temos encontrado este homem excitando o povo
à revolta, proibindo pagar imposto ao imperador e dizendo-se Messias e rei.
3.Pilatos perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Jesus respondeu: Sim.
4.Declarou Pilatos aos príncipes dos sacerdotes e ao povo: Eu não acho neste
homem culpa alguma. 5.Mas eles insistiam fortemente: Ele revoluciona o povo
ensinando por toda a Judéia, a começar da Galiléia até aqui.
6.A estas palavras, Pilatos perguntou se ele era
galileu. 7.E, quando soube que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes,
pois justamente naqueles dias se achava em Jerusalém.
Jesus perante Herodes - Lc 23,8-12
8.Herodes alegrou-se muito em ver Jesus, pois de
longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar dele muitas coisas, e esperava
presenciar algum milagre operado por ele. 9.Dirigiu-lhe muitas perguntas, mas
Jesus nada respondeu.
10.Ali estavam os príncipes dos sacerdotes e os
escribas, acusando-o com violência. 11.Herodes, com a sua guarda, tratou-o com
desprezo, escarneceu dele, mandou revesti-lo de uma túnica branca e reenviou-o a
Pilatos. 12.Naquele mesmo dia, Pilatos e Herodes fizeram as pazes, pois antes
eram inimigos um do outro.
Jesus novamente perante Pilatos - Lc 23,13-25
13.Pilatos convocou então os príncipes dos
sacerdotes, os magistrados e o povo, e disse-lhes: 14.Apresentastes-me este
homem como agitador do povo, mas, interrogando-o eu diante de vós, não o achei
culpado de nenhum dos crimes de que o acusais. 15.Nem tampouco Herodes, pois
no-lo devolveu. Portanto, ele nada fez que mereça a morte. 16.Por isso,
soltá-lo-ei depois de o castigar. 17.[Acontecia que em cada festa ele era
obrigado a soltar-lhes um preso.] 18.Todo o povo gritou a uma voz: À morte com
este, e solta-nos Barrabás. 19.(Este homem fora lançado ao cárcere devido a uma
revolta levantada na cidade, por causa de um homicídio.) 20.Pilatos, porém,
querendo soltar Jesus, falou-lhes de novo, 21.mas eles vociferavam: Crucifica-o!
Crucifica-o! 22.Pela terceira vez, Pilatos ainda interveio: Mas que mal fez ele,
então? Não achei nele nada que mereça a morte; irei, portanto, castigá-lo e,
depois, o soltarei. 23.Mas eles instavam, reclamando em altas vozes que fosse
crucificado, e os seus clamores recrudesciam. 24.Pilatos pronunciou então a
sentença que lhes satisfazia o desejo. 25.Soltou-lhes aquele que eles reclamavam
e que havia sido lançado ao cárcere por causa do homicídio e da revolta, e
entregou Jesus à vontade deles.
Escárnio pelos soldados romanos - Mt 27,27-31
27.Os soldados do governador conduziram Jesus para
o pretório e rodearam-no com todo o pelotão. 28.Arrancaram-lhe as vestes e
colocaram-lhe um manto escarlate. 29.Depois, trançaram uma coroa de espinhos,
meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante
dele, diziam com escárnio: Salve, rei dos judeus! 30.Cuspiam-lhe no rosto e,
tomando da vara, davam-lhe golpes na cabeça. 31.Depois de escarnecerem dele,
tiraram-lhe o manto e entregaram-lhe as vestes. Em seguida, levaram-no para o
crucificar.
Jesus é crucificado - Mt 27,32-44
32.Saindo, encontraram um homem de Cirene, chamado
Simão, a quem obrigaram a levar a cruz de Jesus. 33.Chegaram ao lugar chamado
Gólgota, isto é, lugar do crânio. 34.Deram-lhe de beber vinho misturado com fel.
Ele provou, mas se recusou a beber. 35.Depois de o haverem crucificado,
dividiram suas vestes entre si, tirando a sorte. Cumpriu-se assim a profecia do
profeta: Repartiram entre si minhas vestes e sobre meu manto lançaram a sorte.
36.Sentaram-se e montaram guarda. 37.Por cima de sua cabeça penduraram um
escrito trazendo o motivo de sua crucificação: Este é Jesus, o rei dos judeus.
38.Ao mesmo tempo foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e
outro à sua esquerda. 39.Os que passavam o injuriavam, sacudiam a cabeça e
diziam: 40.Tu, que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti
mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz! 41.Os príncipes dos sacerdotes, os
escribas e os anciãos também zombavam dele: 42.Ele salvou a outros e não pode
salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e nós creremos
nele! 43.Confiou em Deus, Deus o livre agora, se o ama, porque ele disse: Eu sou
o Filho de Deus! 44.E os ladrões, crucificados com ele, também o ultrajavam.
Jesus morre na cruz - Mt 27,45-56
45.Desde a hora sexta até a nona, cobriu-se toda a
terra de trevas. 46.Próximo da hora nona, Jesus exclamou em voz forte: Eli, Eli,
lammá sabactáni? - o que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?
47.A estas palavras, alguns dos que lá estavam diziam: Ele chama por Elias.
48.Imediatamente um deles tomou uma esponja, embebeu-a em vinagre e
apresentou-lha na ponta de uma vara para que bebesse. 49.Os outros diziam:
Deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-lo. 50.Jesus de novo lançou um grande
brado, e entregou a alma. 51.E eis que o véu do templo se rasgou em duas partes
de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas. 52.Os sepulcros se
abriram e os corpos de muitos justos ressuscitaram. 53.Saindo de suas
sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da ressurreição de Jesus e
apareceram a muitas pessoas.
54.O centurião e seus homens que montavam guarda a
Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo o que se passava, disseram
entre si, possuídos de grande temor: Verdadeiramente, este homem era Filho de
Deus! 55.Havia ali também algumas mulheres que de longe olhavam; tinham seguido
Jesus desde a Galiléia para o servir. 56.Entre elas se achavam Maria Madalena e
Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.
Sepultura de Jesus - Mt 27,57-66
57.À tardinha, um homem rico de Arimatéia, chamado
José, que era também discípulo de Jesus, 58.foi procurar Pilatos e pediu-lhe o
corpo de Jesus. Pilatos cedeu-o. 59.José tomou o corpo, envolveu-o num lençol
branco 60.e o depositou num sepulcro novo, que tinha mandado talhar para si na
rocha. Depois rolou uma grande pedra à entrada do sepulcro e foi-se embora.
61.Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas defronte do túmulo.
62.No dia seguinte - isto é, o dia seguinte ao da
Preparação -, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus dirigiram-se todos
juntos à casa de Pilatos. 63.E disseram-lhe: Senhor, nós nos lembramos de que
aquele impostor disse, enquanto vivia: Depois de três dias ressuscitarei.
64.Ordena, pois, que seu sepulcro seja guardado até o terceiro dia. Os seus
discípulos poderiam vir roubar o corpo e dizer ao povo: Ressuscitou dos mortos.
E esta última impostura seria pior que a primeira. 65.Respondeu Pilatos: Tendes
uma guarda. Ide e guardai-o como o entendeis. 66.Foram, pois, e asseguraram o
sepulcro, selando a pedra e colocando guardas.
Maria Madalena visita o sepulcro - Jo 20,1-18
1.No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria
Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra
removida do sepulcro. 2.Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a
quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!
3.Saiu então Pedro com aquele outro discípulo, e foram
ao sepulcro. 4.Corriam juntos, mas aquele outro discípulo correu mais depressa
do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. 5.Inclinou-se e viu ali os panos no
chão, mas não entrou. 6.Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e
viu os panos postos no chão. 7.Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça
de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte.
8.Então entrou também o discípulo que havia chegado
primeiro ao sepulcro. Viu e creu. 9.Em verdade, ainda não haviam entendido a
Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos. 10.Os
discípulos, então, voltaram para as suas casas.
11.Entretanto, Maria se conservava do lado de fora
perto do sepulcro e chorava. Chorando, inclinou-se para olhar dentro do
sepulcro. 12.Viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo
de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13.Eles lhe perguntaram: Mulher, por
que choras? Ela respondeu: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o
puseram.
14.Ditas estas palavras, voltou-se para trás e viu
Jesus em pé, mas não o reconheceu. 15.Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que
choras? Quem procuras? Supondo ela que fosse o jardineiro, respondeu: Senhor, se
tu o tiraste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar. 16.Disse-lhe Jesus:
Maria! Voltando-se ela, exclamou em hebraico: Rabôni! (que quer dizer Mestre).
17.Disse-lhe Jesus: Não me retenhas, porque ainda não subi a meu Pai, mas vai a
meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.
18.Maria Madalena correu para anunciar aos discípulos que ela tinha visto o
Senhor e contou o que ele lhe tinha falado.
Relato dos guardas - Mt 28,11-15
11.Enquanto elas voltavam, alguns homens da guarda
já estavam na cidade para anunciar o acontecimento aos príncipes dos sacerdotes.
12.Reuniram-se estes em conselho com os anciãos. Deram aos soldados uma
importante soma de dinheiro, ordenando-lhes: 13.Vós direis que seus discípulos
vieram retirá-lo à noite, enquanto dormíeis. 14.Se o governador vier a sabê-lo,
nós o acalmaremos e vos tiraremos de dificuldades. 15.Os soldados receberam o
dinheiro e seguiram suas instruções. E esta versão é ainda hoje espalhada entre
os judeus.
Jesus aparece a dois discípulos - Lc 24,13-35
13.Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para
uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. 14.Iam
falando um com o outro de tudo o que se tinha passado. 15.Enquanto iam
conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se deles e caminhava
com eles. 16.Mas os olhos estavam-lhes como que vendados e não o reconheceram.
17.Perguntou-lhes, então: De que estais falando pelo caminho, e por que estais
tristes? 18.Um deles, chamado Cléofas, respondeu-lhe: És tu acaso o único
forasteiro em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu estes dias?
19.Perguntou-lhes ele: Que foi? Disseram: A respeito de Jesus de Nazaré... Era
um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo. 20.Os
nossos sumos sacerdotes e os nossos magistrados o entregaram para ser condenado
à morte e o crucificaram. 21.Nós esperávamos que fosse ele quem havia de
restaurar Israel e agora, além de tudo isto, é hoje o terceiro dia que essas
coisas sucederam. 22.É verdade que algumas mulheres dentre nós nos alarmaram.
Elas foram ao sepulcro, antes do nascer do sol; 23.e não tendo achado o seu
corpo, voltaram, dizendo que tiveram uma visão de anjos, os quais asseguravam
que está vivo. 24.Alguns dos nossos foram ao sepulcro e acharam assim como as
mulheres tinham dito, mas a ele mesmo não viram.
25.Jesus lhes disse: Ó gente sem inteligência! Como
sois tardos de coração para crerdes em tudo o que anunciaram os profetas!
26.Porventura não era necessário que Cristo sofresse essas coisas e assim
entrasse na sua glória? 27.E começando por Moisés, percorrendo todos os
profetas, explicava-lhes o que dele se achava dito em todas as Escrituras.
28.Aproximaram-se da aldeia para onde iam e ele fez
como se quisesse passar adiante. 29.Mas eles forçaram-no a parar: Fica conosco,
já é tarde e já declina o dia. Entrou então com eles. 30.Aconteceu que, estando
sentado conjuntamente à mesa, ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e
serviu-lho. 31.Então se lhes abriram os olhos e o reconheceram... mas ele
desapareceu.
32.Diziam então um para o outro: Não se nos abrasava o
coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?
33.Levantaram-se na mesma hora e voltaram a Jerusalém. Aí acharam reunidos os
Onze e os que com eles estavam. 34.Todos diziam: O Senhor ressuscitou
verdadeiramente e apareceu a Simão. 35.Eles, por sua parte, contaram o que lhes
havia acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão.
Jesus aparece aos apóstolos - Lc 24,36-49
36.Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus
apresentou-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja convosco! 37.Perturbados
e espantados, pensaram estar vendo um espírito. 38.Mas ele lhes disse: Por que
estais perturbados, e por que essas dúvidas nos vossos corações? 39.Vede minhas
mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem
ossos, como vedes que tenho. 40.E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés.
41.Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou:
Tendes aqui alguma coisa para comer? 42.Então ofereceram-lhe um pedaço de peixe
assado. 43.Ele tomou e comeu à vista deles.
44.Depois lhes disse: Isto é o que vos dizia quando
ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que de mim está
escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos. 45.Abriu-lhes então o
espírito, para que compreendessem as Escrituras, dizendo: 46.Assim é que está
escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos
mortos ao terceiro dia. 47.E que em seu nome se pregasse a penitência e a
remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48.Vós sois as
testemunhas de tudo isso.
49.Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto,
permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto.
Jesus aparece novamente aos apóstolos - Jo 20,24-31
24.Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava
com eles quando veio Jesus. 25.Os outros discípulos disseram-lhe: Vimos o
Senhor. Mas ele replicou-lhes: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e
não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu
lado, não acreditarei!
26.Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra
vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus,
pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco! 27.Depois disse a Tomé:
Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não
sejas incrédulo, mas homem de fé. 28.Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus!
29.Disse-lhe Jesus: Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter
visto!
30.Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda
muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. 31.Mas estes foram
escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que,
crendo, tenhais a vida em seu nome.
Jesus aparece aos discípulos - Jo 21,1-19
1.Depois disso, tornou Jesus a manifestar-se aos
seus discípulos junto ao lago de Tiberíades. Manifestou-se deste modo: 2.Estavam
juntos Simão Pedro, Tomé (chamado Dídimo), Natanael (que era de Caná da Galiléia),
os filhos de Zebedeu e outros dois dos seus discípulos. 3.Disse-lhes Simão
Pedro: Vou pescar. Responderam-lhe eles: Também nós vamos contigo. Partiram e
entraram na barca. Naquela noite, porém, nada apanharam.
4.Chegada a manhã, Jesus estava na praia. Todavia, os
discípulos não o reconheceram. 5.Perguntou-lhes Jesus: Amigos, não tendes acaso
alguma coisa para comer? Não, responderam-lhe. 6.Disse-lhes ele: Lançai a rede
ao lado direito da barca e achareis. Lançaram-na, e já não podiam arrastá-la por
causa da grande quantidade de peixes. 7.Então aquele discípulo, que Jesus amava,
disse a Pedro: É o Senhor! Quando Simão Pedro ouviu dizer que era o Senhor,
cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se às águas.
8.Os outros discípulos vieram na barca, arrastando a
rede dos peixes (pois não estavam longe da terra, senão cerca de duzentos
côvados). 9.Ao saltarem em terra, viram umas brasas preparadas e um peixe em
cima delas, e pão. 10.Disse-lhes Jesus: Trazei aqui alguns dos peixes que agora
apanhastes. 11.Subiu Simão Pedro e puxou a rede para a terra, cheia de cento e
cinqüenta e três peixes grandes. Apesar de serem tantos, a rede não se rompeu.
12.Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. Nenhum dos
discípulos ousou perguntar-lhe: Quem és tu?, pois bem sabiam que era o Senhor.
13.Jesus aproximou-se, tomou o pão e lhos deu, e do mesmo modo o peixe.
14.Era esta já a terceira vez que Jesus se manifestava
aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado.
15.Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro:
Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu
sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. 16.Perguntou-lhe
outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes
que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. 17.Perguntou-lhe pela
terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe
perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu
sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas. 18.Em verdade,
em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas aonde querias.
Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará
para onde não queres. 19.Por estas palavras, ele indicava o gênero de morte com
que havia de glorificar a Deus. E depois de assim ter falado, acrescentou:
Segue-me!
A grande comissão - Mt 28,16-20
16.Os onze discípulos foram para a Galiléia, para a
montanha que Jesus lhes tinha designado. 17.Quando o viram, adoraram-no;
entretanto, alguns hesitavam ainda. 18.Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse:
Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. 19.Ide, pois, e ensinai a todas
as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
20.Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos
os dias, até o fim do mundo.
Ascensão de Jesus - Lc 24,50-53
50.Depois os levou para Betânia e, levantando as
mãos, os abençoou. 51.Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado
ao céu. 52.Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo.
53.E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus.
Primeira Comunidade - At 1,12-26
12.Voltaram eles então para Jerusalém do monte
chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, distante uma jornada de
sábado. 13.Tendo entrado no cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam
permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu,
Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago.
14.Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres,
entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele.
15.Num daqueles dias, levantou-se Pedro no meio de seus irmãos, na assembléia
reunida que constava de umas cento e vinte pessoas, e disse: 16.Irmãos, convinha
que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na escritura pela boca de Davi,
acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus. 17.Ele era um dos
nossos e teve parte no nosso ministério. 18.Este homem adquirira um campo com o
salário de seu crime. Depois, tombando para a frente, arrebentou-se pelo meio, e
todas as suas entranhas se derramaram. 19.(Tornou-se este fato conhecido dos
habitantes de Jerusalém, de modo que aquele campo foi chamado na língua deles
Hacéldama, isto é, Campo de Sangue.) 20.Pois está escrito no livro dos Salmos:
Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e ainda mais: Que
outro receba o seu cargo. 21.Convém que destes homens que têm estado em nossa
companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, 22.a começar do
batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado, um deles se torne
conosco testemunha de sua Ressurreição.
23.Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha
por sobrenome Justo, e Matias. 24.E oraram nestes termos: Ó Senhor, que conheces
os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste 25.para tomar neste
ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu
próprio lugar. 26.Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado
aos onze apóstolos.
Conversão de Saulo - At 9,1-20
1.Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte
contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao príncipe dos sacerdotes, 2.e
pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos a
Jerusalém todos os homens e mulheres que achasse seguindo essa doutrina.
3.Durante a viagem, estando já perto de Damasco,
subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu. 4.Caindo por terra,
ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? 5.Saulo disse:
Quem és, Senhor? Respondeu ele: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. [Duro te é
recalcitrar contra o aguilhão. 6.Então, trêmulo e atônito, disse ele: Senhor,
que queres que eu faça? Respondeu-lhe o Senhor:] Levanta-te, entra na cidade. Aí
te será dito o que deves fazer. 7.Os homens que o acompanhavam enchiam-se de
espanto, pois ouviam perfeitamente a voz, mas não viam ninguém. 8.Saulo
levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão
e o introduziram em Damasco, 9.onde esteve três dias sem ver, sem comer nem
beber.
10.Havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O
Senhor, numa visão, lhe disse: Ananias! Eis-me aqui, Senhor, respondeu ele. 11.O
Senhor lhe ordenou: Levanta-te e vai à rua Direita, e pergunta em casa de Judas
por um homem de Tarso, chamado Saulo; ele está orando. 12.(Este via numa visão
um homem, chamado Ananias, entrar e impor-lhe as mãos para recobrar a vista.)
13.Ananias respondeu: Senhor, muitos já me falaram deste homem, quantos males
fez aos teus fiéis em Jerusalém. 14.E aqui ele tem poder dos príncipes dos
sacerdotes para prender a todos aqueles que invocam o teu nome. 15.Mas o Senhor
lhe disse: Vai, porque este homem é para mim um instrumento escolhido, que
levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel. 16.Eu lhe
mostrarei tudo o que terá de padecer pelo meu nome. 17.Ananias foi. Entrou na
casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que
te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do
Espírito Santo. 18.No mesmo instante caíram dos olhos de Saulo umas como
escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado. 19.Depois tomou
alimento e sentiu-se fortalecido. Demorou-se por alguns dias com os discípulos
que se achavam em Damasco.
20.Imediatamente começou a proclamar pelas sinagogas
que Jesus é o Filho de Deus.
Volta de Jesus - Ap 22,6-21
6.Ele me disse: Estas palavras são fiéis e
verdadeiras, e o Senhor Deus dos espíritos dos profetas enviou o seu anjo para
mostrar aos seus servos o que deve acontecer em breve. 7.Eis que venho em breve!
Felizes aqueles que põem em prática as palavras da profecia deste livro. 8.Fui
eu, João, que vi e ouvi estas coisas. Depois de as ter ouvido e visto,
prostrei-me aos pés do anjo que as mostrava. 9.Mas ele me disse: Não faças isto!
Sou um servo como tu e teus irmãos, os profetas, e aqueles que guardam as
palavras deste livro. Prostra-te diante de Deus.
10.Disse ele ainda: Não seles o texto profético deste
livro, porque o momento está próximo. 11.O injusto faça ainda injustiças, o
impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se
ainda mais. 12.Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para
dar a cada um conforme as suas obras. 13.Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o
Último, o Começo e o Fim. 14.Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter
direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas. 15.Fora os cães,
os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que
amam e praticam a mentira!
16.Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos atestar estas
coisas a respeito das igrejas. Eu sou a raiz e o descendente de Davi, a estrela
radiosa da manhã.
17.O Espírito e a Esposa dizem: Vem! Possa aquele que
ouve dizer também: Vem! Aquele que tem sede, venha! E que o homem de boa vontade
receba, gratuitamente, da água da vida!
18.Eu declaro a todos aqueles que ouvirem as palavras
da profecia deste livro: se alguém lhes ajuntar alguma coisa, Deus ajuntará
sobre ele as pragas descritas neste livro; 19.e se alguém dele tirar qualquer
coisa, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa,
descritas neste livro.
20.Aquele que atesta estas coisas diz: Sim! Eu venho
depressa! Amém! Vem, Senhor Jesus!
21.A graça do Senhor Jesus esteja com todos. Amém!
Ministério de Jesus
Jesus desenvolveu seu ministério principalmente na
Galiléia, tendo feito de Cafarnaum uma de suas bases evangelísticas e se
deslocando várias vezes a Tiberíades pelo Mar da Galiléia. Esteve também em
cidades como Samaria, na Judéia e sobretudo em Jerusalém logo antes de sua
crucificação. Esteve em outros lugares de Israel, chegando a passar brevemente
por Tiro e por Sidom, cidades da Fenícia.
Os principais temas da pregação de Jesus foram, de
acordo com os Evangelhos, o anúncio do Reino de Deus, o perdão divino dos
pecados e o amor de Deus. Expostos, entre outros, nas inúmeras parábolas e ações
de Jesus, na oração do Pai-Nosso, nas Bem-aventuranças e na chamada regra de
ouro. Jesus resumiu também "toda a Lei e os Profetas" do Antigo Testamento em
apenas dois mandamentos fundamentais, a saber: "Amar a Deus de todo coração, de
toda alma e de todo espírito e ao próximo como a ti mesmo" (Mateus 22,37-39).
Além destes ensinamentos, alguns dos quais eram
recorrentes nos pregadores da época, Jesus ensinou um novo mandamento: "amai-vos
uns aos outros, como Eu vos amo" (João 15,12). Este mandamento é considerado o
fundamento de todos os outros mandamentos e ensinamentos dos cristãos e, para
alguns, também de toda a Revelação divina.
Palestina nos tempos de Jesus
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