
Palavra do Padre
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Migrantes e Cortadores de Cana A safra de cana deste ano teve início e com ela chegaram os migrantes, deixam famílias, a cidade, a região onde nasceram e vêm para o Estado de São Paulo, para o corte da cana nas grandes usinas daqui. Vêm do nordeste ou norte de Minas Gerais e por vários meses permanecem enfrentando a labuta do trabalho exaustivo do corte da cana. Na última quinta-feira do mês passado, estive junto ao alojamento da usina Corona, onde 400 cortadores estão, e com os membros da Pastoral do Migrante, celebramos a Ação de Graças pelo dom da vida. Houve participação, a maioria veio do norte de Minas e outros do interior da Bahia, mas em todos já estampado no rosto está o cansaço, a timidez e a saudade da terrinha que deixou. Faz muito frio nestes dias, que para o nordestino se torna mais intenso e mais sentido, assim o clima torna mais difícil a adaptação. Durante a celebração, vários demonstraram o cansaço extremo, há um grande número de jovens que vem para o corte da cana devido suas localidades de origem, não encontrarem o trabalho necessário, assim a safra da cana, trabalhando no corte, conseguem manter suas famílias, esta mão de obra que está aos poucos perdendo lugar para as modernas máquinas que cortam a cana. O refeitório do alojamento, onde são tomadas as refeições diárias dos 400 trabalhadores, foi ocupado com uma pequena mesa, o altar para a Ceia do Senhor, o Pão, alimento da vida eterna. Assim, entre cânticos e acolhimento fraternal, pouco a pouco, os ânimos foram renovados e os migrantes que deixaram suas casas e famílias, foram acolhidos no carinho por uma família maior que veio ao encontro de cada um deles, que aqui está e que é a Igreja. O sorriso ficou no rosto, a fraternidade aqueceu o coração e ficou estabelecida. Muitos que não tiveram a oportunidade de realizar a primeira comunhão, a crisma e até mesmo de se prepararem para o matrimônio, devido a rotina do trabalho durante o ano, podem realizar o curso de preparação que a Pastoral do Migrante realiza toda segunda-feira a noite. A solidariedade é um grande dom que se manifesta nesta desafiadora Pastoral do Migrante, que busca resgatar sempre a dignidade e trabalha pelo direito a vida digna e justa de nossos irmãos cortadores de cana. O Brasil é um país que tem muitos migrantes e imigrantes, eu mesmo sou descendente de migrantes, meus pais vieram de outros estados para São Paulo e assim, há muitas famílias de migrantes que aqui em Matão se estabeleceram. Acolher os que chegam a nós, abrir com carinho e ternura evangélica as portas do coração, ir ao encontro, estar junto, trabalhar e valorizar a luta pelo direito e cidadania, é prática que deve acompanhar todo homem e mulher que acredita no valor sem medidas da vida humana. Abraçamos os que chegam e que seja este ano para os nosso migrantes de bênçãos, saúde e convivência com a nossa solidariedade humana e sobretudo cristã. Toda última terça-feira do mês, estaremos juntos, celebrando Ação de Graças ao Deus da Vida. Padre Oswaldo Gonçalves Pereira |