Palavra do Pároco


Rosto das CEBs

     As comunidades eclesiais de base foram e são modelos para a Igreja do Brasil, desde o Concílio Vaticano Segundo até nossos dias. Essas pequenas comunidades deram o chute inicial da caminhada da Igreja na América Latina, assim se abria um grande espaço para os leigos, a Igreja passa de ser uma instituição piramidal para ser uma Igreja voltada para o povo, ou melhor, uma Igreja encarnada com a realidade do povo. O Concílio deu esta abertura para que os leigos passassem de espectadores a serem protagonistas de uma história marcada por homens e mulheres de todas as classes, raças e línguas.

     Com a conscientização de uma Igreja povo, na década de sessenta surge uma consciência mais crítica sobre a realidade social, econômica, religiosa e política. Assim chamamos de êxodo esta nova caminhada da Igreja. Tudo é resposta de bispos, padres, leigos, teólogos e outros que começaram não só a abraçar, mas também a descobrir um novo jeito de ser Igreja. Isso traz a característica das CEBs, um novo jeito de ser Igreja inserida na realidade e na história do povo. Por isso, CEBs não se enquadra nem em movimentos ou pastorais, elas são um novo jeito de ser e viver Igreja enraizada na vida do povo, de um modo especial os pobres. As CEBs têm sua base principal nos Atos dos Apóstolos, mais precisamente nos capítulos de dois a quatro, que relatam o surgimento das primeiras comunidades cristãs alicerçadas no amor de Jesus Ressuscitado e testemunhadas no exemplo dos apóstolos que foram fiéis a Jesus Cristo até o fim na prática do Evangelho deixado por Ele.
     Com a modernidade atual encarando uma sociedade globalizada, capitalista e secularizada, surge a pergunta CEBs ainda existe? Elas estão mais vivas do que nunca. Como posso perceber? Não dá para enquadrar as CEBs num contexto fechado de um grupo, onde se ver alguém lutando pela defesa da vida seja na Igreja ou em qualquer movimento social as CEBs estão no meio. Olhando a realidade atual, não podemos pensar nelas como nas décadas de setenta e oitenta, onde tínhamos uma sociedade rural, hoje a realidade é urbana, por isso, temos de certo modo uma sociedade desajustada em seu contexto como um todo. Vivemos num mundo informatizado, onde a família perdeu o papel do patriarcado, nesta situação o que predomina é um mundo egoísta e egocêntrico, onde o valor familiar para muitos não existe mais. Portanto, as CEBs estão vivas sim, caminhando de acordo com esta realidade, como foi relatado no Documento de Aparecida da V Conferência do Episcopado Latino e Caribenho de maio de 2007, que dedicou praticamente um capítulo as pequenas comunidades de BASE. Os bispos do Brasil reunidos na 48ª assembléia de Brasília, maio de 2010, constataram que as Comunidades Eclesiais de Base devem ser o ressurgir de uma nova mentalidade para a Igreja, principalmente na realidade mais pobre da sociedade atual com seu jeito sempre novo, porém, sem perder sua identidade primeira que está na sagrada escritura. Reforçando cada vez mais o protagonismo dos leigos que deve ser a resposta do Evangelho inculturado na sociedade de diversas formas de viver numa inculturação ecumênica reforçando a transformação de um mundo injusto de oprimidos para um novo mundo marcado pelo compromisso com a vida. As CEBs são como células, pequenas, mais cresce numa visão de unidade expandindo o Evangelho com sementeiras de líderes engajados e conscientizados para uma reflexão crítica sobre a Palavra de Deus na realidade atual.

Padre José Carneiro de Oliveira Filho

 

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