
Palavra do Padre
|
O Projeto que Permanece De que vale você ganhar, economizar, comprar, construir e ter, se vier a perder o mais essencial, a própria vida. Este questionamento foi feito pelo maior mestre em sabedoria que já viveu entre nós, Jesus de Nazaré. Foi feito a 2000 anos atrás e é muito atual. Recentemente visitei a construção de uma casa já em fase de acabamento, belíssima construção, muito bem planejada, sala grande, cozinha e quartos enormes, material de primeira qualidade, mármores, vidros caríssimos, madeira de lei, tudo muito lindo. Assim que entrei na bela construção senti que a pessoa que convidou-me a ir até lá, começou a chorar, a tristeza invadiu-lhe o coração, fiquei sem dizer palavras mas logo em seguida esta falou-me, que faz anos que não entra nesta construção; pois o seu irmão que realizava a construção da casa de seus sonhos veio a falecer ainda muito jovem, com 47 anos de idade. Não entrei em detalhes da caminhada espiritual do seu irmão, mas creio que com a mesma criatividade, capricho e dedicação que temos em realizar nossos projetos humanos, quer seja uma casa ou algo mais dos nossos sonhos, deve-se verificar e empenhar-se se está de fato em consonância com o projeto maior, que é de Deus em nós. Posso correr o risco de não construir de fato, algo que permaneça e isto é muito triste. Pergunto-me com freqüência qual é de fato, o projeto de vida plena que Deus quer construir em minha história. Coloco-me frente a Ele cada vez que silencio e faço profunda escuta do seu designo amoroso. Vejo luz em minha escuridão quando paro e escuto, discernindo o meu projeto humano. Volto ao questionamento do mestre de Nazaré; vale a pena ter, fazer e não ser; isto é, e não viver para ver os sonhos se concretizarem? E perder a grande possibilidade de habitar os nossos próprios sonhos? Creio cada vez mais que a construção do amor se faz a cada instante, no gesto do próprio amar. Posso construir algo aqui e para o além daqui; Como posso saber se de fato edifico algo que permanece? Creio simplesmente pelo fato do reconhecimento que amor gera amor, bondade, desapego, gratuidade e partilha e tantas outras virtudes que podem ser confirmadas nos testemunhos das pessoas, por isso é sempre bom pensar e agir com simplicidade, isto é, construir para o outro, deixar algo para alguém além de nós, uma obra que permanece. Espero que você, que agora está a ler essas palavras, também procure essa edificação, esse projeto pessoal, familiar e comunitário e que de fato, seja esse alicerçado na rocha do amor que permanece, nada poderá destruir no processo da história. Padre Oswaldo Gonçalves Pereira |