Palavra do Padre


O Diálogo com o Próprio Eu

     Faz-se tanto necessário, qualidade de vida em nossos dias que, estamos tão distantes da proposta do Evangelho de Jô 10,10: “Vim pra que todos tenham vida, vida plena”. O grau da Sabedoria de uma pessoa, não é dado pelo quanto ela tem de conhecimento acadêmico, sucesso na profissão, mas pela capacidade de estar diante de si mesmo, de escutar, de questionar os pensamentos e emoções, criticar suas verdades, de repensar sua vida e refazer caminhos.

     Na vivência da paróquia, conheço pessoas que têm curso superior, cursou faculdade e em matéria de escutar a si mesmo e mesmo de religião, da fé cristã – católica, ainda está com a roupinha da 1ª comunhão, isto é, com as noções adquiridas na infância, doutor na vida e na pré-infância, na escola da fé, na matéria da escuta interior.

     Faz-se necessário que todos tenham momentos particulares de escuta profunda e diálogo consigo mesmo. Devemos fazer o exercício da amizade consigo mesmo. O médico e psiquiatra Augusto Cury propõe: “Deve-se aprender a se interiorizar, caminhar na trajetória do seu ser e ter o prazer do auto diálogo aberto, conversa íntima, uma reflexão existencial. Principalmente os mais jovens devem executar a prática da reflexão existencial, pois vive a depressão e não sabem ser companheiros de si mesmos e de fato, a maior de todas as solidões não é aquela que a sociedade nos abandona, mas aquela que nós mesmos nos abandonamos. Alguns nascem, crescem e morrem, sem nunca ter tido um encontro marcante com a sua própria história. Viveram sem ter um romance com a vida. Você tem esse romance?”, pergunta o célebre médico.

     Que seja este o caminho a seguir por todos nós, buscar nas trilhas da vida a própria qualidade de vida.

     Na caminhada histórica da Igreja de Jesus, essa prática foi e é sempre imanente desde o início do anúncio do reino na proposta de João Batista, que vivia no deserto, até a estruturação da mística da escuta com São Bento (que era monge), o pai do monaquismo, ascetas e místicos vivem esta meta número um de uma vivência religiosa que traz sentido à vida, na escuta do próprio Eu, e no silêncio da Oração.

Padre Oswaldo Gonçalves Pereira