Palavra do Padre


As Alegrias do Pan, as Lágrimas da TAM

     As medalhas de ouro, prata e bronze dos jogos pan-americanos do Rio de Janeiro no nosso país, tiveram o brilho ofuscado pela fumaça da terrível tragédia da aeronave da Tam que explodiu em São Paulo, destruindo vidas, sonhos, famílias e esperanças.

     O país inteiro cobriu-se de luto, foi triste demais, o pior acidente com o avião na história de nosso país, partilhamos a dor das famílias que choram os amados que se foram de forma tão chocante e clamamos: de quem é a responsabilidade de fato? O que causou essa tragédia? É uma nação que exige a apuração das responsabilidades dos órgãos competentes.

     Os grandes meios de comunicação: rádio, internet, TV e jornais que concentraram o foco no Pan, desviaram-no para a tragédia do vôo da Tam, é a morte que sempre cobre de dor a todos. O Brasil é o país dos grandes contrastes, construíram uma vila para os esportistas do Pan, apartamentos, reformaram estádios, investiram muito nos jogos e nas grandes reformas dos estádios do Rio de Janeiro e os nossos aeroportos, as estradas, as moradias precárias nas grandes favelas do Rio e São Paulo, não se têm qualidade e nenhum investimento. Não se investe na qualidade de vida do nosso povo. Nosso país é de grandes paradoxos; não se pode relaxar e fingir que nada está acontecendo como sugeriu há poucos dias atrás uma ministra do governo Federal.

     Deve-se indignar e buscar sempre os direitos, a cidadania em última análise, a própria vida. Basta de morte de tantos inocentes que perderam de forma súbita e absolutamente absurda a própria vida nesta explosão da aeronave e muitos outros acidentes que ocorrem e que morrem milhares por ano nas estradas do Brasil, nos automóveis, ônibus e caminhões nas péssimas estradas que temos.

     Indignados, paralisados, não podemos nos conformar, devemos manifestar e exigir competência e responsabilidade diante de tantas mortes.

     Recebemos com alegria as medalhas do Pan que tanto dignificam, elas elevam o nome do Brasil e choramos amargamente com as dores dos familiares deste vôo da Tam, porém com extrema resignação.

Padre Oswaldo Gonçalves Pereira