Palavra do Padre


Não Perder a Paz

     No atender, escutar uma pessoa, há sempre uma pergunta que lhe faço, você sente paz? Esta situação que você vive, este ato, esta pessoa, estes encaminhamentos, o que você está a viver faz-lhe bem, dá-lhe paz, ou você perde a paz?

     Geralmente a pessoa diz: o que significa esta pergunta? Porque estás a fazer esta pergunta para a minha vida? E com muita calma e profunda atenção respondo-lhe o seguinte: todo pensamento, toda a atitude, todos os encaminhamentos do viver humano que vêm dar paz ao coração são de Deus, isto é, tudo que de fato é de Deus traz a paz e aquilo que não é Dele arranca a paz do coração.

     Resumindo, estou em Deus, na escuta de sua palavra, no silêncio, na contemplação do belo, na oração. Assim sinto fluir em meu viver a paz; caso contrário, estou inquieto, sem tempo para o silêncio, para ver e ouvir a beleza do palpitar da vida, então, perco completamente a paz.

     As ameaças do terrorismo internacional, a política nacional com sua corrupção - basta ver a situação do Senado brasileiro, inclusive com seu presidente com envolvimentos em situações que clamam por coerência - a interiorização do medo pessoal, fazem o coração humano perder-se; em uma realidade assim não há possibilidade de vivência total da paz, mas nada pode nos impedir de buscá-la e torná-la presente.

     Faz alguns dias estava no trânsito louco e intenso de São Paulo na marginal Tietê; muita fumaça, buzinas, sirenes, motos e seus moto-boys cortando a frente e colocando muitas vidas em risco, automóveis velozes, caminhões, ônibus e, sobretudo, o mau cheiro do rio poluído, toda esta situação presenciada a minha volta, fazia nascer o stress e o cansaço em muitos motoristas, que sentados aos volantes, tragavam os seus cigarros aflitivamente, com cansaço visível, os olhos vermelhos e irritados, parados, presos em seus carros congestionados pelo intenso tráfego.

     Toda esta situação no trânsito paulistano, por incrível que pareça não fez com que eu perdesse a minha paz. Encontrava-me ali no caos da marginal do rio Tietê, mas esse caos, essa falta de paz não estava em mim; dialogava com as pessoas que estavam dentro do veículo comigo a enfrentar o desafio de dirigir em São Paulo.

     O caminho rumo a meta do objetivo não pode ser atrapalhado, quando no percurso é grande a falta de paz.

Padre Oswaldo Gonçalves Pereira