Palavra do Padre


Nosso Encontro com o Papa

     Meu Deus, estar junto com mais de 1 milhão e 200 mil pessoas é algo realmente emocionante, sem comparações, é muita gente, um mar de pessoas.

     O Campo de Marte (grande área próxima a marginal Tietê) em São Paulo, ficou pequeno para comportar a imensa emoção, o enorme carinho e as orações de profunda entrega da imensidão de pessoas que foram ver e ouvir o Papa Bento XVI e com ele celebrar a missa que santificou o primeiro santo do Brasil, Frei Galvão.

     O frio da madrugada paulistana estava cortante quando lá chegamos, noventa paroquianos, três horas e trinta minutos de viagem. Houve uma grande vigília de oração durante a fria madrugada, mas o Espírito Santo, fogo abrasador, soprou muito mais forte que o vento frio. Oramos, rezamos junto ao Padre Jonas Abib e o Padre Marcelo Rossi, fomos nos aquecendo e buscamos nos unir para nos proteger do vento gelado, as nuvens baixas passageiras prometiam chuva, que não veio com o amanhecer e durante o dia.

     As pessoas se agrupavam e partilhavam o cobertor e sobretudo o calor humano e muitas dormiam no chão, na grama do Campo de Marte, não estávamos acampados em Marte, mas parecia que estávamos em outro país ou planeta, ali não presenciamos brigas, violência ou roubos, mas repartia-se o pão, o cafezinho (quem trouxe), o leite e multiplicavam-se os gestos de amizade, ficamos mais solidários.

     Foi importante estar com o Papa, participar desta página histórica da vida da Igreja, a canonização de Frei Galvão. No entanto o que mais tocou profundamente o coração, foi o fato de receber a Comunhão Eucarística junto ao 1 milhão e 200 mil pessoas (total de partículas consagradas), alimentados com o Pão dos Céus, Pão dos Anjos e das mulheres que buscam matar a fome de vida, de sentido, de beleza e de justiça e ali, após receber o Sacramento do Amor, ajoelhamos na grama, no cimento e agradecemos ao Deus da Vida que se fez Pão por amor, o mesmo que alimentou Frei Galvão e tantos outros santos e mártires. Foi a grande celebração da misericórdia, da suprema Ação de Graças. Assim nosso Deus é glorificado quando nos alimentamos da plenitude de sua graça que é a Eucaristia.

     Valeu estarmos juntos ao Papa Bento e participarmos ali, nos sentimos mais Igreja, mais irmanados no nosso Deus que se fez pão e no Pão Eucarístico se entrega de modo tão extraordinário. Sem dúvidas fomos abençoados pelo Papa Bento e sobretudo consagrados pelo Pão Bento dos Céus que alimenta-nos como a São Frei Galvão alimentou no caminho da santidade.

Padre Oswaldo Gonçalves Pereira